Escalada de ataques no Oriente Médio faz preço do petróleo disparar e beirar os US$ 120
O mercado global de energia amanheceu em estado de choque nesta quinta-feira (19/3). A intensificação dos bombardeios mútuos entre Israel e Irã, atingindo diretamente infraestruturas vitais de petróleo e gás, provocou uma disparada imediata nos preços das commodities e acendeu o alerta para um possível desabastecimento em escala mundial.
O barril de petróleo do tipo Brent, principal balizador do mercado internacional, atingiu o pico de US$ 118,20 nas primeiras horas da manhã. Por volta das 9h, o valor apresentava uma leve correção, oscilando entre US$ 113 e US$ 115, patamar ainda considerado crítico por analistas financeiros.
Ofensiva contra o coração energético da região
O estopim para a instabilidade atual ocorreu na última quarta-feira (18/3), quando forças israelenses realizaram o maior ataque à infraestrutura energética iraniana desde o início do conflito, atingindo o gigante campo de gás de Pars.
A resposta de Teerã foi imediata e abrangente:
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Catar: O complexo de Ras Laffan, maior centro de produção de GNL do mundo, foi alvo de mísseis iranianos que causaram “danos consideráveis”.
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Arábia Saudita e Kuwait: Refinarias estratégicas foram atingidas por drones. Entre elas, a refinaria de Samref (parceria entre Aramco e ExxonMobil), com capacidade de 400 mil barris/dia.
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Emirados Árabes: Uma instalação de gás em Abu Dhabi foi atingida por destroços de mísseis interceptados, forçando o fechamento do complexo.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou a situação como inaceitável, afirmando que as hostilidades “ultrapassaram todos os limites ao visar instalações civis vitais”.
Crise se alastra pela Europa e Egito
O impacto econômico atravessou fronteiras rapidamente. Na Europa, o preço do gás no atacado na Holanda saltou 24%, chegando a € 68 por megawatt-hora, o maior valor em mais de três anos. No Reino Unido, os preços mais que dobraram em relação ao mês anterior.
No Egito, o governo já anunciou medidas de racionamento energético diante da impossibilidade de arcar com os custos crescentes dos combustíveis provocados pelo conflito.
Trump ameaça “destruição total” de campo iraniano
O cenário geopolítico ganhou contornos ainda mais dramáticos com o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Através de sua rede social, Truth Social, Trump ameaçou destruir completamente o campo de South Pars, responsável por 80% da produção de gás do Irã, caso Teerã continue atacando o Catar.
“Os Estados Unidos, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, destruirão todo o campo de gás de South Pars com uma força e um poder que o Irã jamais viu antes”, declarou o líder norte-americano.
Apesar de confirmar o ataque israelense de quarta-feira, Trump assegurou que Washington “não sabia de nada” sobre a operação antecipadamente.
Nova fase do conflito
Analistas indicam que a guerra, iniciada em 28 de fevereiro, entrou em uma fase de guerra econômica total. O alvo principal agora é o fornecimento de hidrocarbonetos, essenciais não apenas para a economia global, mas para a sobrevivência básica da população iraniana, que depende do gás de South Pars para calefação e cozinha.
Com o Estreito de Ormuz praticamente paralisado e rotas alternativas como o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, sob ameaça de mísseis, o mundo aguarda com incerteza os próximos desdobramentos de uma crise que parece longe de um cessar-fogo.
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