EUA ampliam ofensiva comercial e abrem nova investigação contra o Brasil por trabalho forçado
WASHINGTON – O governo de Donald Trump intensificou a pressão sobre seus parceiros comerciais nesta quinta-feira (12). O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializou a abertura de uma ampla investigação que atinge o Brasil e dezenas de outras nações, sob a acusação de práticas comerciais desleais vinculadas à exploração de mão de obra.
O foco da administração americana é apurar se falhas governamentais no combate ao trabalho escravo ou forçado estão gerando uma “vantagem de custo artificial”. Na visão de Washington, essa negligência permite que produtos estrangeiros cheguem ao mercado com preços reduzidos, prejudicando a competitividade de empresas e trabalhadores americanos.
O mecanismo de pressão: Seção 301
A ofensiva jurídica utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um dispositivo que dá poderes ao Executivo dos EUA para retaliar países que adotem políticas consideradas injustas ou discriminatórias ao comércio dos Estados Unidos.
“Estas investigações vão determinar se governos estrangeiros agiram com rigor suficiente para proibir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado e como a omissão em erradicar essas práticas abomináveis impacta a nossa economia”, declarou Jamieson Greer, o Representante Comercial dos EUA.
O cronograma estabelecido pelo USTR prevê prazos rígidos:
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15 de abril de 2026: Prazo final para que partes interessadas enviem comentários e resumos de depoimentos.
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28 de abril de 2026: Realização de audiências públicas para debater o tema.
Caso sejam comprovadas irregularidades, o governo Trump possui autoridade para aplicar sanções severas, que incluem a imposição de novas sobretaxas alfandegárias e restrições de acesso ao mercado americano.
Histórico de tensões com Brasília
Esta não é a primeira vez que o Brasil entra na mira do atual governo republicano. O país já é alvo de outro processo sob a mesma Seção 301 desde julho do ano passado. Naquela ocasião, coincidindo com a imposição de um “tarifaço” sobre produtos brasileiros, Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificando a medida.
Na época, o argumento central eram os supostos ataques brasileiros às atividades comerciais digitais de companhias dos EUA, além de outras “práticas desleais”. Agora, a pauta de direitos humanos e relações trabalhistas é adicionada ao xadrez diplomático.
Países na mira de Washington
A nova investigação possui alcance global, atingindo desde aliados estratégicos até rivais históricos. Além do Brasil, compõem a lista:
| Região | Principais Países Investigados |
| Américas | Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, México, Uruguai, Venezuela |
| Europa | União Europeia, Reino Unido, Suíça, Noruega |
| Ásia | China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Indonésia |
| Oriente Médio | Arábia Saudita, Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar |
| Outros | Austrália, África do Sul, Egito, Nigéria, Rússia |
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