Ex-homem forte do Google, Eric Schmidt: diz que IA ‘tão inteligente quanto o artista mais inteligente’ estará aqui em 3 a 5 anos
Eric Schmidt, ex-CEO do Google, acredita que estamos a poucos anos de alcançar um ponto de virada na inteligência artificial. Segundo ele, entre três e cinco anos nos separam de uma tecnologia que igualará — ou até superará — a capacidade intelectual dos seres humanos mais brilhantes em diversas áreas, como ciência, artes e política.
Essa perspectiva, se concretizada, pode reconfigurar completamente setores criativos, como a música, que já enfrentam os impactos da evolução tecnológica. Durante uma conversa mediada por Jeanne Meserve, Schmidt explicou que essa chamada “inteligência artificial geral” (AGI) não é uma teoria distante. Ele afirma que a própria IA já está participando do desenvolvimento de seus sucessores, num processo conhecido como autoaperfeiçoamento recursivo, em que algoritmos aprendem a se aprimorar sem intervenção humana direta.
Segundo Schmidt, empresas como OpenAI e Anthropic — atualmente envolvidas em disputas legais por uso indevido de conteúdo protegido por direitos autorais — relataram que até 20% do código de suas ferramentas está sendo gerado por inteligência artificial. Isso sugere que a chegada da AGI pode ocorrer antes do previsto.
“Imagine ter no bolso um sistema com a capacidade do ser humano mais inteligente do mundo, pronto para ajudar com qualquer tarefa”, provocou Schmidt. Ele também argumentou que, embora o público esteja ouvindo falar muito sobre IA, o impacto real está sendo subestimado. “A maioria das pessoas ainda não compreendeu a magnitude nem a velocidade dessa mudança.”
Schmidt se refere a essa visão otimista — e alarmante — sobre o futuro da IA como parte de um “consenso de São Francisco”, apelido dado por ele ao grupo de tecnólogos na região que compartilham essa crença. Esse grupo também prevê que, em seis anos, superaremos a AGI e entraremos na era da “superinteligência artificial”, com máquinas intelectualmente superiores à coletividade humana.
Embora essas previsões entusiasmem especialistas em tecnologia, elas preocupam setores criativos e culturais. Entidades como a Human Artistry Campaign defendem que a criação humana seja valorizada e protegida. Gravadoras, editoras e artistas argumentam que a IA não deve competir diretamente com a arte feita por pessoas, mas sim ser usada como suporte para a criatividade humana.
O avanço da IA, como descreve Schmidt, está ocorrendo paralelamente a tensões geopolíticas. Estados Unidos e China travam uma corrida pelo domínio da tecnologia, e, segundo ele, o país que ficar para trás pode recorrer até mesmo a medidas extremas — como conflitos armados — para evitar a derrota nessa disputa estratégica.
Enquanto o debate sobre a propriedade intelectual se intensifica, Schmidt destaca um outro ponto: a automação em larga escala poderia, em sua visão, ser uma resposta ao envelhecimento populacional e à queda das taxas de natalidade, especialmente em países asiáticos. Ele vê a substituição de trabalho humano por máquinas como uma continuação de um processo histórico de reinvenção do mercado de trabalho.
“Desde os primeiros teares automáticos, a automação nunca acabou com os empregos, apenas os transformou. Eu ainda não vi razões suficientes para acreditar que dessa vez será diferente”, afirmou. Em locais onde a população está encolhendo, ele aposta que a alta produtividade gerada por essas tecnologias compensará a falta de mão de obra.
Apesar dessa visão otimista, é difícil ignorar o impacto potencial para músicos, escritores e outros profissionais criativos, que podem em breve ter que disputar espaço com sistemas mais inteligentes do que qualquer pessoa viva hoje. Para muitos, isso não é uma revolução tecnológica — é uma ameaça direta à própria essência da criatividade humana.
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