Fortes chuvas causam alagamentos e estragos em Vitória da Conquista no dia de seu aniversário
A cidade de Vitória da Conquista, que completou 194 anos neste domingo dia 09, amanheceu sob os efeitos de um temporal devastador. Fortes chuvas, acompanhadas de ventos intensos e trovoadas, provocaram alagamentos generalizados, arrastaram veículos e invadiram residências em diversos bairros, transformando o feriado de comemoração em um cenário de alerta e solidariedade. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido, desde sábado, um alerta laranja para chuvas intensas e tempestades na região Sudoeste da Bahia, prevendo precipitações de até 100 mm por dia e rajadas de vento de 60 a 100 km/h. O aviso, válido até as 23h59 deste domingo, alertava para riscos de corte de energia elétrica, queda de árvores e alagamentos em áreas urbanas com drenagem deficiente.
De acordo com medições preliminares da Defesa Civil municipal, a chuva acumulada no período da tarde e noite ultrapassou os 71 mm em alguns pontos da cidade, superando as expectativas iniciais de 50 a 60 mm por hora e contribuindo para o caos nas vias públicas. O volume de água foi suficiente para formar enxurradas que arrastaram carros e motos para córregos e valetas, como registrado na Avenida Brumado e no centro urbano. Um motorista foi resgatado com vida após seu veículo ser engolido por uma correnteza em uma rua do bairro Recreio, em um episódio que mobilizou equipes de socorro. Em outro incidente, uma árvore centenária foi derrubada pelos ventos na Praça do Iguá, na zona rural, danificando a infraestrutura local e interrompendo o tráfego por horas.
Os estragos se estenderam a bairros como Santa Helena, onde a água invadiu dezenas de casas, forçando famílias a evacuarem seus lares às pressas. No centro da cidade, alagamentos transformaram ruas principais em rios improvisados, com relatos de prejuízos a comércios e residências. Moradores do bairro Brasil relataram que “a chuva veio como um tsunami, sem dar tempo de reagir”, enquanto em áreas periféricas, como o Panificadora, galhos caídos obstruíram acessos e aumentaram o risco de acidentes. Até o momento, não há registro de vítimas fatais, mas a Secretaria de Saúde monitora casos de hipothermia e lesões leves decorrentes dos resgates. A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil estima que pelo menos 200 famílias foram afetadas diretamente, com equipes trabalhando na distribuição de colchões e alimentos de emergência.
Diante da gravidade da situação, autoridades locais mobilizaram esforços para mitigar os impactos. O presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro, foi um dos primeiros a se posicionar publicamente, entrando em contato imediato com a coordenadora da Defesa Civil, Rosa Freitas, para oferecer a estrutura legislativa em apoio às ações de resgate e recuperação. Em declaração divulgada nas redes sociais, Cordeiro enfatizou a importância da união: “Fortes chuvas caíram sobre Vitória da Conquista na noite deste domingo, causando estragos e transtornos em vários bairros da cidade. Já entrei em contato com a Coordenadora da Defesa Civil, Rosa Freitas, colocando a estrutura da Câmara à disposição para auxiliar no que for necessário e urgente neste momento. Queremos unir forças para garantir a segurança, o amparo e a recuperação da nossa cidade o mais rápido possível. O momento é de união e solidariedade”.
O temporal, que surpreendeu após dias de calor intenso, é atribuído a uma frente fria avançando pelo interior da Bahia, segundo o Inmet. Para as próximas horas, a previsão indica chuvas isoladas, mas com potencial para mais transtornos se o solo encharcado não for adequadamente drenado. A Defesa Civil recomenda que a população evite áreas de risco, não atravesse pontes submersas e mantenha contato pelo telefone 199 para denúncias ou pedidos de ajuda.
Vitória da Conquista, conhecida como a “Suíça Baiana” por sua topografia acidentada, volta a demonstrar vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, reforçando a necessidade de investimentos em infraestrutura urbana. Enquanto a cidade se recupera, o episódio serve como lembrete da fragilidade diante da natureza – e da força da comunidade em tempos de adversidade.
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