Gripe aviária pode empilhar uma montanha de carne no Brasil
A detecção de um único foco de influenza aviária em uma propriedade comercial brasileira gerou repercussões desproporcionais em todo o setor avícola nacional. Mesmo sendo um incidente pontual – localizado em Montenegro (RS) –, a situação provocou o bloqueio temporário das vendas externas para 17 países compradores. Diante desse cenário, os produtores precisam definir estratégias alternativas: estocar a produção, aumentar a oferta no mercado doméstico ou buscar novos compradores internacionais.
Esses 17 importadores somavam, mensalmente, aproximadamente 135 mil toneladas de carne avícola no ano passado – volume que corresponde a um décimo da produção nacional. Paradoxalmente, o plantel da granja envolvida no caso representa uma fração insignificante do total de aves criadas no país. Além disso, a unidade em questão tinha finalidade específica: produzia ovos fertilizados para incubação, não para consumo direto. Os pintos resultantes é que seguiriam para abate posteriormente.
Vale destacar que o Brasil mantém rigorosos protocolos sanitários em suas granjas comerciais, especialmente nas destinadas ao corte. O sistema integrado, que engloba cerca de 90% da produção nacional, assegura controle total sobre genética, alimentação e manejo – desde os criadouros até os frigoríficos. Esse modelo garante a qualidade reconhecida internacionalmente, inclusive por multinacionais do setor alimentício.
A BRF, holding brasileira dona de marcas como Sadia e Perdigão, exemplifica esse padrão de excelência. Sua unidade em Toledo (PR) foi premiada em 2021 como melhor fornecedora da Arcos Dourados, operadora do McDonald’s na América Latina. Não por acaso, o grupo atraiu investidores de peso, como membros da família real saudita – que detêm participação acionária e buscam absorver o know-how brasileiro em produção avícola segura e eficiente.
Essa conjuntura revela uma contradição: enquanto o episódio isolado provocou reações imediatas no comércio exterior, a estrutura produtiva brasileira continua sendo referência global em sanidade e qualidade – com sistemas de monitoramento que impedem a entrada do vírus na cadeia alimentar humana. A capacidade de recuperação do setor e a manutenção desses padrões serão decisivas para a reconquista dos mercados afetados.
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