**José Dirceu alerta sobre a necessidade de mobilização da esquerda para 2026**
Em um evento realizado na PUC-SP nesta segunda-feira (31), o ex-ministro José Dirceu (PT) destacou a urgência de a esquerda se organizar para as próximas eleições. Ele criticou a falta de uma agenda unificada entre os progressistas e enfatizou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já se consolidou como o principal nome da direita, recebendo amplo apoio do setor econômico.
— A direita já tem seu projeto definido, e nós precisamos definir o nosso — afirmou Dirceu, ressaltando que o tempo é curto para estruturar uma campanha eficaz.
O petista alertou que a disputa eleitoral começa agora, mesmo as eleições ocorrendo apenas em 2026. Para ele, é fundamental que o campo progressista ocupe as ruas e rejeite propostas como a anistia a envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, defendeu que as eleições legislativas recebam a mesma atenção que a presidencial.
Dirceu também comentou a situação do governo Lula, classificando-o como “sitiado” devido à composição de sua base, que inclui partidos como PP, PL e União Brasil. O ex-ministro, que planeja concorrer a uma vaga na Câmara em 2026, participou do evento em repúdio ao golpe de 1964 e contra a anistia, organizado pelo Grupo Prerrogativas.
**Críticas ao posicionamento do governo**
Durante o encontro, o ex-deputado José Genoino (PT) afirmou que o governo está perdendo a chance de liderar um debate crucial sobre a memória política do país. Ele concordou com a análise do jornalista Breno Altman, que criticou a ausência de uma manifestação oficial no aniversário do regime militar.
— Não se trata de revanchismo, mas de não abandonar a luta por transformações profundas — disse Genoino, argumentando que a esquerda não pode depender apenas do Judiciário para avançar sua agenda.
Breno Altman recebeu aplausos ao questionar o silêncio do Palácio do Planalto sobre a data. Lula, em publicação no X, limitou-se a reforçar a importância da democracia sem mencionar diretamente o período militar. Para aliados do PT presentes no evento, a postura do governo foi tímida e deveria ter incluído um pronunciamento mais contundente.
Dirceu, no entanto, relativizou a falta de um ato oficial, destacando que não houve qualquer movimentação das Forças Armadas. Marco Aurélio de Carvalho, organizador do evento, defendeu Lula, afirmando que o presidente mantém seu compromisso com a democracia e o fortalecimento das instituições.
Sem comentários! Seja o primeiro.