Desaprovação ao Governo Lula Dispara Após Escândalo no INSS, Apontam Pesquisas
Por Redação | Publicado em 4 de junho de 2025
A avaliação negativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou novos patamares após a revelação da fraude bilionária nos descontos associativos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Segundo duas pesquisas de opinião divulgadas nesta semana, a desaprovação ao terceiro mandato do petista já supera os 56%.
Os levantamentos, realizados pelos institutos Poder360 e Quaest, apontam desaprovação de 56% e 57%, respectivamente, enquanto a taxa de aprovação oscila entre 39% e 40%. As pesquisas foram conduzidas entre os dias 29 de maio e 2 de junho, com margens de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Crise de imagem e desgaste contínuo
De acordo com os dados da Quaest, o desgaste na imagem do presidente vem se acentuando desde meados de 2023, mas ganhou força nos últimos meses, impulsionado por temas sensíveis como o monitoramento do PIX e, principalmente, o escândalo que envolveu descontos indevidos em folha de pagamento de beneficiários do INSS.
A fraude, que pode ter afetado até 9 milhões de aposentados e gerado prejuízo entre R$ 2 bilhões e R$ 5 bilhões, tornou-se o tema mais citado espontaneamente pelos entrevistados da Quaest (10%). Outros fatores como corrupção (9%) e inflação (9%) também pesam negativamente na percepção pública sobre o governo.
Em resposta à crise de imagem, o presidente Lula exonerou, em janeiro deste ano, o então ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, e nomeou o publicitário Sidônio Palmeira, numa tentativa de reverter o declínio na popularidade.
Responsabilidade e percepção pública
O levantamento da Quaest aponta que 31% dos entrevistados responsabilizam diretamente o governo federal pela fraude no INSS, seguido do próprio INSS (14%) e das entidades envolvidas na falsificação das autorizações (8%). Apenas 8% atribuem culpa à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como tenta argumentar o Planalto, e 1% aos próprios aposentados.
Quanto à compensação financeira às vítimas, 52% dos entrevistados defendem que os recursos devem vir exclusivamente das entidades investigadas, enquanto 41% acreditam que os cofres públicos também devem arcar com os reembolsos.
Perfil da desaprovação
A desaprovação a Lula atinge níveis mais altos nas regiões Sudeste (64%), Sul (62%) e Centro-Oeste/Norte (55%), permanecendo abaixo da aprovação apenas no Nordeste (44% de desaprovação contra 54% de aprovação). A avaliação negativa também predomina entre homens (59%), jovens de 16 a 34 anos (60%), pessoas com ensino superior (64%), renda superior a cinco salários mínimos (61%), evangélicos (66%) e cidadãos que não recebem o Bolsa Família (61%).
A Quaest ainda identificou que 56% dos brasileiros consideram este terceiro mandato de Lula pior que os anteriores, enquanto apenas 20% o veem como melhor. Na comparação direta com o governo Bolsonaro, 44% afirmam que o atual governo está pior.
Senso de direção e pessimismo com o país
A percepção negativa do governo também impacta a visão geral da população sobre os rumos do Brasil. Para 61% dos entrevistados, o país está no caminho errado, enquanto apenas 32% acreditam que segue na direção certa. Metade dos participantes (50%) relatou ter visto mais notícias negativas do que positivas sobre o governo, destacando a fraude no INSS como o principal fato recente.
Entre os maiores problemas apontados pela população estão:
- Violência: 30%
- Questões sociais: 22%
- Economia: 19%
- Corrupção: 13%
- Saúde: 10%
- Educação: 6%
Sinais mistos na economia
Apesar do cenário político turbulento, os dados mostram um ligeiro aumento no otimismo econômico. A percepção de piora da economia nos últimos 12 meses caiu de 56% para 48%. Também houve redução na percepção de alta nos preços:
- Alimentos: de 88% para 79%
- Gasolina: de 70% para 54%
- Energia elétrica: de 65% para 60%
- Poder de compra menor: de 81% para 79%
- Qualidade de vida pior: de 39% para 35%
Quanto ao futuro, 45% acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses, contra 30% que preveem piora — números praticamente estáveis em relação à medição anterior.
Análise
O agravamento da crise de imagem do governo Lula sugere um desafio crescente para o Planalto. Com a agenda positiva ofuscada por escândalos e indicadores sociais sensíveis, o governo deve intensificar seus esforços de comunicação e gestão de crise para tentar reverter o atual ciclo de desaprovação, especialmente em regiões e entre públicos historicamente mais críticos à esquerda.
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