Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no índice de rejeição; corrupção e herança política são os principais entraves para os candidatos.
BRASÍLIA – A corrida presidencial de 2026 caminha para ser decidida não pela afinidade do eleitor com as propostas, mas pelo temor da vitória do adversário. É o que aponta uma nova pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel, que analisou o cenário eleitoral sob a ótica da repulsa aos candidatos. O estudo revela um país profundamente polarizado, onde o voto é, muitas vezes, uma ferramenta de contenção contra o “pior cenário”.
Empate técnico na preocupação do eleitor
O levantamento testou o impacto emocional de uma eventual vitória dos dois nomes que hoje polarizam as intenções de voto: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Quando questionados sobre qual resultado nas urnas causaria mais preocupação, os eleitores mostraram um equilíbrio nítido: 47,1% temem a reeleição de Lula, enquanto 46,3% veem com receio uma possível eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 6,5% afirmaram que ambos os resultados seriam igualmente preocupantes.
O perfil da rejeição: Corrupção vs. Herança de Jair
A pesquisa detalhou os motivos que levam os eleitores a afirmarem que não votariam em determinado candidato “de jeito nenhum”.
No caso de Lula, o maior obstáculo é a imagem ligada à ética: 85,9% dos que o rejeitam citam o envolvimento ou a conivência com a corrupção. Outros pontos citados incluem a visão de que o presidente deseja tornar a população dependente do Estado (45,7%) e a percepção de um projeto de poder autoritário (33,2%).
Já para Flávio Bolsonaro, o principal fator de rejeição é a associação direta com o governo de seu pai. Para 74,4% dos críticos, o motivo de não votar nele é o desejo de evitar um governo similar ao de Jair Bolsonaro. Além disso, 62,7% mencionam casos de corrupção e 47,2% o veem como representante de um projeto autoritário.
| Candidato | Voto Certo | Rejeição Total | Principal Motivo de Rejeição |
| Lula | 41% | 50% | Corrupção (85,9%) |
| Flávio Bolsonaro | 41% | 49% | Legado de Jair Bolsonaro (74,4%) |
O olhar sobre o “outro”: Estigma e emoção
O estudo também revela como a polarização afeta a visão social. Ao serem perguntados sobre quem vota no candidato que eles mais rejeitam, 57,4% dos entrevistados classificam esses cidadãos como “pessoas manipuladas ou ignorantes”. Apenas 11,7% veem o eleitor do campo oposto como “pessoas comuns que apenas pensam diferente”.
O impacto emocional de uma derrota para o adversário também é alto: 62,3% afirmam que seriam “muito afetados” caso o candidato rejeitado vencesse. Os sentimentos predominantes seriam:
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Falta de esperança: 66,9%
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Medo: 58,1%
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Frustração: 56,5%
Dados da pesquisa
O levantamento da AtlasIntel ouviu 4.224 pessoas entre os dias 16 e 23 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06058/2026.
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