O ministro André Mendonça, do **Supremo Tribunal Federal (STF)**, liberará parte das investigações sobre fraudes no **INSS** para a **Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)** que apura o caso no Congresso. A informação foi confirmada na quarta-feira (27) pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS, e pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator.
Segundo os parlamentares, a CPI poderá acessar as investigações do STF que não sejam sigilosas e que não estejam sob análise da Polícia Federal. O objetivo, conforme Viana, é tornar esses dados públicos em até dois meses. O presidente da CPI, o relator e o ministro Mendonça se reuniram na quarta-feira para tratar do assunto.
“O ministro deixou bem claro que o STF pode colaborar com os documentos que não forem sigilosos… Há uma investigação técnica sob sua responsabilidade, e o que for possível será compartilhado”, disse Viana.
Mendonça assumiu a investigação sobre fraudes no INSS na segunda-feira (25) após o ministro Dias Toffoli perder o controle do processo. A mudança ocorreu a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que solicitou a redistribuição do caso. O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, aceitou o pedido e o processo foi sorteado para Mendonça, nomeado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
### CPI planeja acareações entre ex-ministros e diretores de associações
O presidente da CPI também anunciou a intenção de promover acareações entre ex-ministros da Previdência e diretores de associações, caso detecte depoimentos conflitantes. A ideia é ouvir primeiro os ex-ministros e, em seguida, os diretores.
> “Se as informações que recebermos dos ministros não estiverem de acordo com o que os diretores dos sindicatos e associações disserem, teremos que realizar acareações para determinar quem mentiu ou omitiu informações à CPMI”, explicou Viana.
Na primeira sessão, a CPI aprovou a convocação de todos os que ocuparam o Ministério da Previdência entre 2015 e 2025, além de dez presidentes do INSS e diretores de associações citadas nas investigações.
Com um desfecho previsto para março de 2026, a CPI do INSS representa um desafio para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva neste segundo semestre. A comissão é controlada pela oposição, que conseguiu se articular e vencer os governistas, que pretendiam ter o controle do colegiado.
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