O governo federal, enviou ao Congresso uma proposta que altera as regras do Imposto de Renda para trabalhadores e contribuintes de alta renda. A iniciativa busca isentar do pagamento do tributo aqueles que recebem até R$ 5 mil por mês, além de reduzir gradualmente a carga fiscal para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Para equilibrar as contas, a proposta estabelece uma alíquota mínima de 10% para indivíduos com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil. A medida, se aprovada, só entrará em vigor a partir de 2026.
No entanto, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que a mudança pode gerar um impacto financeiro significativo para as prefeituras. Segundo estimativas, os municípios deixarão de arrecadar cerca de R$ 11,8 bilhões por ano. Desse total, R$ 6,9 bilhões correspondem a reduções no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), enquanto os outros R$ 4,9 bilhões representam perdas diretas na arrecadação local, especialmente sobre os salários dos servidores públicos municipais.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destacou que as cidades já enfrentam dificuldades financeiras, com um déficit primário recorde de R$ 30 bilhões em 2024. Ele ressaltou que, mesmo que o governo federal compense integralmente as perdas do FPM, as prefeituras ainda terão que lidar com uma queda de quase R$ 5 bilhões em sua arrecadação própria. Ziulkoski também mencionou o aumento das responsabilidades municipais, especialmente nas áreas de saúde e educação, que têm elevado os gastos públicos nos últimos anos.
Durante a cerimônia de envio da proposta ao Congresso, o presidente Lula defendeu a medida como uma forma de promover justiça fiscal. Ele afirmou que o projeto é “neutro” e não aumentará a carga tributária da União. “São 141 mil pessoas que ganham acima de R$ 600 mil ou R$ 1 milhão por ano que vão contribuir para que 10 milhões de pessoas não paguem Imposto de Renda. É como dar um presente para uma criança. Não vai machucar ninguém”, declarou.
Apesar do otimismo do governo, a proposta pode enfrentar resistência no Congresso, especialmente por parte de parlamentares que defendem os interesses municipais. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o texto pode sofrer ajustes durante a tramitação, mas garantiu que a matéria terá prioridade. Ele também enfatizou a importância de equilibrar justiça social com responsabilidade fiscal.
A proposta ainda pode ser votada em regime de urgência, o que permitiria sua análise direta no plenário da Câmara, sem passar por comissões. Para ser aprovada, precisará do apoio da maioria simples dos deputados. No entanto, o impacto financeiro sobre os municípios pode se tornar um ponto de discordância entre os legisladores, que tradicionalmente buscam proteger os interesses das prefeituras.
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