O Golpe do Batom: uma maquiagem jurídica para esconder os contornos da corrupção.

Se um golpe de Estado fosse um filme de terror, o 8 de janeiro seria uma comédia de equívocos. O grande vilão? O mítico Batom, arma não letal que mais parece um brinquedo de parque de diversões, foi elevado a instrumento de insurreição. E o exército insurgente? Houve sim! Idosos, vendedores ambulantes e figurantes que pareciam ter saído de um churrasco de domingo. Se isso foi uma tentativa de tomar o poder, então o Brasil está a um passo de ser dominado por um bando de senhoras com tupperwares e carrinhos de pipoca.
A falta de líderes, armas reais ou qualquer mínimo planejamento estratégico não impediu que a história fosse vendida como uma tentativa de “ruptura democrática”. Os supostos “terroristas” pareciam mais perdidos que turistas com mapa escrito em grego – alguns, inclusive, foram flagrados tirando selfies no plenário. Se houve um golpe, ele foi dado contra o bom senso, com direito a coadjuvantes que mal sabiam porque estavam lá.
E as filmagens do “golpe” que poderiam desmontar a farsa? Sumiram. Como num passe de mágica ou de má-fé. Imagens cruciais foram apagadas, e o responsável por essa “limpeza digital” nunca foi oficialmente questionado, pelo contrário, recebeu uma cadeira “suprema” como recompensa. Conveniente, não? Enquanto a narrativa oficial se sustenta em lacunas, a oposição é encurralada por um sistema que já decidiu quem é culpado antes mesmo do julgamento. O fato é que, o verdadeiro ataque à democracia não veio dos manifestantes, mas de quem usa o Estado como palco para um teatro autoritário.
No centro desse circo, está a “delação” de Mauro Cid – um verdadeiro caleidoscópio de versões, cada uma mais improvisada que a anterior. Extraída sob ameaças à família do delator, sem registro íntegro, e com contradições que a tornam menos confiável que promessa de político, ela é a prova de que, no Brasil, a delação virou sinônimo de ficção jurídica. Se isso é justiça, então o Brasil trocou o Estado Democrático de Direito por um roteiro de lawfare.
Para tirar o Bolsonaro do páreo, o principal opositor do tribunal político, vale tudo – inclusive o jogo sujo. O mesmo sistema que ignorou anos de denúncias contra aliados do governo atual, agora trata acusações sem provas como verdades absolutas. O objetivo nunca foi apurar, mas condenar. Nunca foi proteger a democracia, mas silenciar quem denuncia, desvios institucionais.
Resumo da ópera: o “golpe” foi uma piada, mas a repressão é séria! Enquanto os justiceiros de plantão caçam vendedores de pipoca, senhores de terceira idade e donas de casa, os verdadeiros criminosos – os que criam falsas provas, ameaçam testemunhas e usam o Estado como arma política – seguem impunes. Os figurantes pagam o preço, e parte da população, entorpecida pelo espetáculo, aplaude sua própria servidão.
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