Planalto diz que não guardou registros de reunião de Vorcaro com Lula
BRASÍLIA – A Presidência da República informou, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que não possui registros oficiais, atas ou gravações das reuniões realizadas por Guido Mantega no Palácio do Planalto. O ex-ministro da Fazenda, que atua como consultor do Banco Master com vencimentos de R$ 1 milhão mensais, participou de agendas que incluem um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.
A negativa do Executivo ocorreu após solicitação protocolada em janeiro. Segundo o governo, “não foram produzidas atas, registros, filmagens, gravações ou outros documentos” referentes aos diálogos mantidos entre Mantega e o chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Inconsistências nas agendas oficiais
Embora a Presidência negue a existência de documentos detalhados, o cruzamento de dados da ferramenta Agenda Transparente revela uma série de encontros:
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Frequência: Mantega esteve com Marcola em pelo menos seis ocasiões entre 2023 e 2024. Em quatro delas, já exercia a consultoria para o Banco Master.
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Omissão Presidencial: O encontro de 4 de dezembro de 2024 consta na agenda de Marcola, mas não na de Lula, apesar de o próprio presidente ter confirmado sua participação em entrevista posterior.
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Presença do Banco Master: Daniel Vorcaro visitou o Planalto ao menos três vezes no último biênio, mas os registros oficiais de audiência não detalham tais agendas.
As marcações existentes descrevem os encontros apenas como “encaminhamento de pauta”, localizados no terceiro andar do palácio — mesma ala onde despacha o chefe do Executivo.
Blindagem técnica e influência política
A contratação de Mantega pelo Master teria ocorrido por interlocução do senador Jaques Wagner (PT-BA). O objetivo central das aproximações seria discutir a situação da instituição financeira perante os órgãos reguladores.
Em declarações ao portal UOL, o presidente Lula admitiu ter recebido Vorcaro e prometido uma análise isenta por parte do Banco Central (BC) sobre o grupo econômico.
“O que eu disse pra ele: ‘Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master.’ O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central”, afirmou o petista na ocasião.
Recurso e Transparência
A reportagem que solicitou os dados via LAI buscava acesso a e-mails, listas de participantes e apresentações entregues durante as reuniões de Mantega no Planalto. Diante da resposta negativa, que alega a inexistência de qualquer material físico ou digital, foi apresentado um recurso para tentar reverter a decisão e obter maior clareza sobre o teor das discussões.
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