Policia desmantela seita russa na Argentina, eles atuavam no Brasil fazendo vítimas
Em 2015, uma mulher de 19 anos, que seria uma das líderes de um grupo, se apresentou como sacerdotisa xamã em Brasília, ministrando palestras. Ela desapareceu após um casal de artistas brasilienses denunciar que ela era uma líder de uma seita criminosa.
Ela estava à frente da International Community of Women for Healthy Lifestyle (Daoin), anteriormente conhecida como Ashram Shambala, fundada por Konstantin Rudnev, que foi preso esta semana em Bariloche, na Argentina, e denunciado pela Justiça local.
Rudnev e outros 20 russos foram acusados de integrar uma organização criminosa voltada para tráfico sexual e redução à servidão, conforme informou o Ministério Público da Argentina. A organização teria capturado uma jovem de 22 anos, trazida da Rússia, que deu à luz a um bebê em Bariloche em 21 de março. A intenção seria registrar a criança como filho de Rudnev para que ele pudesse obter a nacionalidade argentina e depois viajar para o Brasil.
O recrutamento da vítima ocorreu por meio de um “espaço espiritual” de fachada, que se aproveitou de sua vulnerabilidade, conforme detalhou o MP. Durante a investigação, a polícia encontrou no aeroporto de Bariloche um grupo de sete russos prestes a embarcar, e na bagagem deles, foram encontrados comprimidos de cocaína. Além disso, foram feitas prisões de mulheres russas que chegavam em uma van. Rudnev foi detido ao tentar se ferir com uma lâmina de barbear, mas foi rapidamente contido pelas autoridades.
A seita Ashram Shambala foi criada nos últimos anos da União Soviética e chegou a operar em várias regiões da Rússia, com seu fundador, Konstantin Rudnev, inicialmente se autodenominando “guru Sotidanandana” e depois alegando ser um extraterrestre. Após várias prisões, Rudnev fugiu da Rússia e passou a ser procurado por crimes cometidos pela seita, como abuso sexual, tráfico de drogas e exploração.
Em 2015, moradores de Brasília alertaram sobre a sacerdotisa Mahasidda Nayada, que visitou a cidade e ministrou palestras. O casal de artistas brasilienses denunciou a conexão dela com a Daoin, alertando sobre os abusos cometidos pela seita, como exploração de seus membros e a lavagem cerebral promovida pelos líderes.
O casal havia sido parte da seita entre 2006 e 2011, e relataram abusos sexuais, exploração financeira e física, além de manipulação psicológica. Uma servidora pública de Brasília, que também foi membro da Ashram Shambala entre 2002 e 2011, corroborou as denúncias, afirmando que, após perceber os abusos, decidiu sair do grupo. Ela também mencionou que Nayada, que seria uma das líderes da seita, pode ser uma vítima das mesmas práticas manipulativas que os outros membros.
Essas revelações sobre a seita e seus abusos continuaram a se expandir, com a organização mantendo suas atividades clandestinas até a prisão de Rudnev na Argentina, após o nascimento do bebê em Bariloche.
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