A empresa pública responsável pelos serviços postais no Brasil divulgou nesta sexta-feira, dia 9, seu relatório financeiro anual no Diário Oficial da União. Os números revelam que a instituição acumulou perdas significativas no último ano, alcançando o valor de 2,6 bilhões de reais. Esse montante mostra um crescimento substancial comparado ao ano anterior, que havia registrado um déficit de aproximadamente 600 milhões de reais, posteriormente revisado para 633 milhões devido a ajustes contábeis.
O desempenho financeiro de 2024 se tornou o mais preocupante dos últimos oito anos, superando inclusive as perdas de 1,5 bilhão registradas em 2016, que equivalem a cerca de 2,3 bilhões considerando a inflação acumulada. A análise das operações demonstra que a maior parte das unidades de atendimento, cerca de 85%, operou com saldo negativo, enquanto apenas uma pequena parcela conseguiu gerar lucros.

Apesar das dificuldades financeiras, a empresa manteve sua presença em todos os municípios brasileiros, garantindo o acesso aos serviços postais em todo o território nacional. As tarifas praticadas continuam acessíveis, mesmo diante dos elevados custos para manter em funcionamento as unidades que não se sustentam financeiramente.
Por outro lado, a organização realizou investimentos consideráveis durante o período, totalizando 830 milhões de reais somente em 2024. Nos últimos dois anos, os recursos aplicados em melhorias ultrapassaram 1,6 bilhão de reais, com ênfase na modernização da frota e na manutenção da infraestrutura operacional.
Como parte de sua estratégia de longo prazo, a empresa vem adotando medidas para incorporar tecnologias mais ecológicas em suas operações. Recentemente, foram adquiridos veículos elétricos, bicicletas adaptadas e outros equipamentos que fazem parte de um projeto ambiental com duração prevista de cinco anos.
Em comunicado oficial, a administração reafirmou seu compromisso com práticas sustentáveis, declarando que essa abordagem continuará orientando suas decisões estratégicas. “Nossas iniciativas socioambientais permanecerão como prioridade em todas as nossas ações”, afirmou a empresa.
A redução na arrecadação também influenciou os resultados, com queda para 18,9 bilhões de reais em receita, menor valor desde 2020. Paralelamente, os gastos operacionais aumentaram significativamente, alcançando 15,9 bilhões de reais, com destaque para os custos com pessoal, que superaram 10 bilhões de reais devido a acordos trabalhistas e benefícios aos funcionários.
As despesas administrativas bateram recorde, somando 4,7 bilhões de reais, enquanto o setor financeiro registrou um déficit de 379 milhões, invertendo o saldo positivo do ano anterior. Esses fatores combinados contribuíram para o cenário desfavorável apresentado no balanço anual.
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