Robotáxis chineses acabam de chegar ao Catar e avançam em parcerias com a Uber
A empresa chinesa de tecnologia de direção autônoma, Pony.ai, estabeleceu um acordo de colaboração com a Mowasalat, operadora de transporte do Catar, para acelerar o desenvolvimento e a futura implementação de veículos sem motorista. As primeiras experimentações começarão ainda este ano, e a previsão é que os serviços comerciais (sem a necessidade de motorista de segurança) sejam lançados em 2026.
Este pacto com o Catar acontece apenas dois meses após a Pony.ai ter firmado um entendimento similar com a Autoridade de Estradas e Transportes de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Essa movimentação é parte de um padrão crescente de internacionalização por parte das companhias chinesas que desenvolvem veículos autônomos.
Em Singapura, por exemplo, a WeRide comunicou que introduzirá seus robotáxis este ano, através de uma aliança com um parceiro local. A empresa já tem em operação robô-ônibus na ilha de Sentosa desde julho, percorrendo rotas fixas de 1,2 km que ligam hotéis e o shopping T Galleria. Adicionalmente, desde o final de 2024, robôs varredores autônomos da WeRide estão sendo utilizados em projetos de limpeza na Marina Coastal Drive e no Esplanade.
As empresas chinesas também têm buscado parcerias com plataformas globais de transporte, como a Uber, para acelerar sua expansão e tornar os serviços mais acessíveis. No evento IAA Mobility (Salão Internacional do Automóvel da Alemanha), a Momenta revelou que robotáxis seus serão integrados à rede da Uber em 2026, começando pela cidade de Munique. Inicialmente, esses testes contarão com operadores de segurança a bordo.
A Pony.ai, que conta com apoio da Toyota, planeja iniciar seu serviço com a Uber ainda em 2025 em uma região estratégica do Oriente Médio, com planos de estender a operação para outras nações. A WeRide irá expandir sua parceria com a Uber para um total de 15 cidades fora da China e dos EUA nos próximos cinco anos. Já em Abu Dhabi, a operação comercial de robotáxis começou em dezembro de 2024, com uma projeção de frota de 50 carros até meados de 2025.
Liderança Chinesa e o Impulso da Expansão Global
Essa rápida projeção internacional reflete a solidez do mercado interno chinês. Até agosto de 2024, as autoridades da China haviam emitido 16 mil autorizações para testes e liberado mais de 32 mil km de vias para a circulação de veículos autônomos. Grandes centros urbanos, como Xangai, Pequim, Guangzhou e Wuhan, são o foco dos programas-piloto de robotáxis.
Zhang Ning, vice-presidente da Pony.ai, atribui o avanço tecnológico a políticas governamentais, citando o 14º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento da Economia Digital como um incentivo. Mais de 50 cidades na China já dispõem de regulamentos específicos para a testagem e comercialização de veículos autônomos, sendo que 20 delas fazem parte de programas que integram veículo, infraestrutura rodoviária e a nuvem (“veículo-estrada-nuvem”).
A Pony.ai apresentou, em abril, sua sétima geração de sistema automotivo no Salão de Xangai. Seus veículos já acumularam mais de 50 milhões de quilômetros rodados, o que inclui operações comerciais em grandes cidades chinesas e testes internacionais.
Tanto a WeRide quanto a Pony.ai ressaltam que a expansão para outros países prioriza mercados com regulamentações favoráveis, boa infraestrutura e uma necessidade clara de soluções de mobilidade, como nações com grande população idosa ou escassez de motoristas profissionais. Singapura e Abu Dhabi oferecem ambientes regulatórios que facilitaram o lançamento de frotas-piloto.
Parcerias Estratégicas e Barreiras na Internacionalização
O crescimento mundial também é uma resposta à pressão dos investidores. Alianças com gigantes como a Uber permitem a divisão de riscos e a ampliação da presença de mercado. De acordo com o McKinsey Center for Future Mobility, os robotáxis devem atingir a viabilidade comercial em larga escala por volta de 2030. A Grab, líder de transportes no Sudeste Asiático, investiu dezenas de milhões de dólares na WeRide para acelerar a introdução de veículos autônomos na região.
Nos Estados Unidos, companhias como Cruise e Waymo continuam focadas no mercado doméstico, o qual enfrenta restrições devido a regulamentações complexas e problemas de segurança. Este contraste evidencia que as empresas chinesas unem a liderança interna a uma estratégia de expansão internacional mais focada e seletiva.
Especialistas alertam que a adaptação técnica e a conformidade com as diversas regras regulatórias são os maiores desafios na expansão global. Sistemas desenvolvidos para cidades chinesas exigem ajustes significativos para operar em outros mercados, e os modelos de negócios precisam garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo.
Para James Peng, CEO e fundador da Pony.ai, a estratégia internacional visa responder às demandas globais por mobilidade e gerar um impacto positivo social e econômico. A crescente presença chinesa além das suas fronteiras indica uma mudança no panorama global de veículos autônomos, que antes era predominantemente dominado por empresas americanas.
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