Senado põe sigilo de 100 anos sobre entradas de Careca do INSS na Casa
O Senado Federal classificou como ultrassecretos os registros de entrada do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, na Casa. A decisão, que impede a divulgação das informações por um século, foi justificada com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no decreto que regulamenta a Lei de Acesso à Informação (LAI).
O Metrópoles solicitou os dados via LAI no início do mês, mas a Casa alegou que os registros são de “caráter pessoal”. A postura contrasta com o entendimento da Controladoria-Geral da União (CGU), que defende a transparência desses dados para fiscalizar possíveis conflitos de interesses.
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) já admitiu ter recebido o lobista em seu gabinete pelo menos três vezes. O parlamentar também tem ligações com Adroaldo Portal, atual secretário-executivo da Previdência, que se encontrou com o Careca do INSS em março de 2023 – sem constar na agenda oficial.
Operação Sem Desconto e o esquema bilionário
O lobista é um dos investigados na Farra do INSS, esquema que desviou R$ 2 bilhões de aposentados, segundo apuração do Metrópoles. As reportagens do portal motivaram a PF a deflagrar a Operação Sem Desconto, que resultou na queda do ex-ministro Carlos Lupi e do então presidente do INSS.
Em maio, a PF apreendeu carros de luxo do Careca do INSS em um prédio no Setor Bancário Norte de Brasília. A denúncia partiu da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que tem um escritório no local.
Enquanto a Câmara dos Deputados atendeu ao pedido de acesso aos registros do lobista – sem encontrar movimentações recentes –, o Senado mantém os dados sob sigilo. A presidência da Casa, comandada por Davi Alcolumbre (União-AP), não se pronunciou sobre a decisão.
O caso reacende o debate sobre transparência e o uso de brechas legais para ocultar informações de interesse público.
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