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Venda de minas de níquel para estatal chinesa sob suspeita, cade investiga

Vemvê Brasil
agosto 27, 2025
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O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) iniciou um procedimento para investigar a venda dos ativos de níquel da Anglo American no Brasil para a MMG, uma subsidiária da estatal chinesa China Minmetals. A investigação, conduzida pela Superintendência-Geral do Cade, busca determinar se a transação configura um ato de concentração que prejudicaria a concorrência no mercado. O despacho foi assinado em 26 de agosto de 2025 pelo superintendente-geral Alexandre Barreto de Souza.

A controvérsia em torno da venda, avaliada em US$ 500 milhões, ganhou força com a alegação da Corex Holding, pertencente ao grupo turco Yildirim, de que havia feito uma oferta maior, de US$ 900 milhões. A empresa contesta o acordo no Brasil e na União Europeia, levantando preocupações sobre concentração de mercado e ameaça ao fornecimento de um insumo estratégico (o níquel) para países ocidentais. O níquel é essencial na produção de baterias, veículos elétricos e aço inoxidável.

A negociação engloba os complexos de Barro Alto e Codemin, em Goiás, além de projetos de exploração em Morro Sem Boné (MT) e Jacaré (PA). Com a aquisição, a MMG passará a controlar aproximadamente 30% do mercado brasileiro de níquel, quase a totalidade do mercado nacional de ferro-níquel e cerca de 60% do mercado global de níquel, expandindo a influência da China sobre um material de grande importância.

 

Contexto Geopolítico

 

A Corex argumenta que a venda reforça a posição chinesa no setor, já que empresas controladas pelo governo da China podem passar a deter quase metade do fornecimento mundial de níquel.

No Brasil, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foi notificado para apurar possíveis violações de restrições à compra de terras rurais por empresas estrangeiras, uma vez que os ativos estão localizados em áreas consideradas estratégicas em Goiás, Mato Grosso e Pará. Em um ofício, o Incra expressou preocupação com a soberania nacional. A Corex afirmou ao órgão que é “contraditório que o Brasil, com sua grande diversidade de recursos minerais estratégicos, permita a exploração sistemática dessas riquezas por estrangeiros, sem o devido desenvolvimento da cadeia produtiva nacional”.

Na União Europeia, a Corex apresentou uma petição à Comissão Europeia, na qual afirma que a operação “contribui significativamente para reduzir a dependência da UE de capacidades de refino concentradas, particularmente em meio a desafios geopolíticos e de mercado em curso”. Nos Estados Unidos, o AISI (Instituto Americano do Ferro e do Aço) solicitou que o governo de Donald Trump pressione o Brasil para reconsiderar o acordo, argumentando que a transação fortalece a dependência global da China em relação a minerais críticos.

A Anglo American, por sua vez, declarou que a venda está alinhada à sua estratégia de focar em cobre, minério de ferro e nutrientes agrícolas. A MMG garantiu que irá cumprir todas as exigências regulatórias, classificando o negócio como uma “grande realização para empregados, comunidades locais e acionistas”.

O Cade avaliará se a aquisição diminui a concorrência e os impactos econômicos e geopolíticos do negócio. A decisão final poderá ser de aprovação, aprovação com restrições ou veto da operação.

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