Em depoimento, banqueiro refuta acusação de “títulos podres”, afirma que transação com o BRB foi técnica e critica atuação de ex-diretor da autoridade monetária.
BRASÍLIA – Em depoimento prestado à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negou veementemente a prática de fraudes financeiras e a tentativa de repassar títulos sem lastro ao Banco de Brasília (BRB). Durante a oitiva, o empresário defendeu a higidez de suas operações, alegando que a instituição honrou todos os seus compromissos até o momento da intervenção e responsabilizou diretamente a cúpula do Banco Central (BC) pela desestabilização da instituição.
Defesa da operação com o BRB
Vorcaro contestou a tese de que teria tentado empurrar R$ 12 bilhões em “títulos podres” para o BRB. Segundo o banqueiro, a operação foi estritamente técnica, acompanhada pelo Banco Central e sequer chegou a ser finalizada justamente pela falta de documentação comprobatória do lastro, o que comprovaria a ausência de má-fé.
“A transação não aconteceu. Para um crime ou para uma fraude acontecer, alguém tem que ter vantagem e outro tem que ter prejuízo. Nesse caso, o BRB não teve prejuízo e o Banco Master não teve vantagem”, declarou à PF, ressaltando que os valores permaneceram em uma conta escrow (garantia).
Críticas ao Banco Central e “Mudança nas Regras”
O banqueiro destacou que o Master operava sob monitoramento diário da autoridade monetária, com uma troca de quase 400 comunicações anuais. Para ele, a crise de liquidez que culminou na liquidação da instituição não foi fruto de má gestão, mas de mudanças regulatórias abruptas nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que serviam de base para o plano de negócios do banco desde 2018.
Vorcaro subiu o tom contra o Departamento de Organização Financeira do BC, à época chefiado por Renato Gomes. Ele classificou a atuação do órgão como uma “gincana” deliberada para prejudicar o banco e favorecer concorrentes. O banqueiro sugeriu que, enquanto a Diretoria de Fiscalização buscava soluções de mercado, a de Organização Financeira optou pelo “caos”.
Disputas de Mercado e Pressão Reputacional
De acordo com o depoimento, o Master foi alvo de uma “campanha reputacional” movida por veículos de mídia ligados a concorrentes. Vorcaro mencionou André Esteves, do BTG, como um opositor central nesse cenário. Ele afirmou que, até o dia 17 de novembro, todos os investidores e clientes estavam sendo pagos rigorosamente em dia, apesar da pressão externa.
Relações Políticas e Medidas Cautelares
Questionado sobre sua proximidade com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), Vorcaro confirmou encontros, mas negou qualquer “facilitação política” no negócio com o BRB. Ele utilizou sua situação atual como argumento de defesa contra as teses de tráfico de influência.
“Se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso”, pontuou.
Ao encerrar, o banqueiro reiterou que tentou buscar parcerias com investidores estrangeiros e concorrentes para proteger o sistema financeiro, mas que as decisões discricionárias do Banco Central inviabilizaram a continuidade da operação.
Leia o depoimento na íntegra:
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