EUA revogam visto de embaixadora brasileira em retaliação por impasse diplomático
Medida atinge Maria Luiza Ribeiro Viotti após o Brasil atrasar aval ao nome indicado por Donald Trump para a embaixada em Brasília.
O governo dos Estados Unidos decidiu revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a determinação é uma resposta direta à demora das autoridades brasileiras em conceder a autorização diplomática (concessão de agrément) para que Daniel Perez assuma o comando da embaixada americana no Brasil.
Apesar da medida, a diplomacia americana esclareceu que a revogação não equivale à expulsão de Viotti, permitindo que ela permaneça em solo americano mesmo sem o visto ativo. O órgão acrescentou que a credencial da embaixadora poderá ser restabelecida assim que o Palácio do Itamaraty formalizar o aval ao indicado da Casa Branca. Até a publicação desta matéria, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não havia se pronunciado.
Reação a restrições anteriores
A sanção contra a representante brasileira ocorre dez dias após o Itamaraty ter recusado a emissão de vistos para dois funcionários do Departamento de Estado: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
Uma reportagem do jornal The Washington Post apontou que a dupla estaria envolvida em articulações para contestar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Em contrapartida, porta-vozes do governo americano negaram qualquer intenção de ingerência, sustentando que a comitiva pretendia debater pautas relativas à liberdade religiosa, de expressão e integridade das eleições com autoridades e membros da sociedade civil brasileira.
O cenário de atrito já era previsto nos bastidores do Itamaraty. No fim de julho, análises diplomáticas indicavam a probabilidade de contraofensivas por parte de Washington na concessão de credenciais a diplomatas brasileiros.
Imbróglio na indicação e desgaste bilateral

O pivô do recente impasse, Daniel Perez, foi indicado pelo presidente Donald Trump para chefiar a missão diplomática em Brasília no início de junho. Aos 38 anos, o republicano preside a Câmara
dos Deputados da Flórida e ainda precisa passar pelo crivo do Senado americano antes de assumir o posto. Caso seja aprovado e receba o aval do governo brasileiro, ele ocupará a vaga que permanece aberta desde janeiro de 2025, momento em que Elizabeth Bagley deixou o cargo após a troca de comando na Casa Branca.
Filho de imigrantes cubanos, Perez é natural de Nova York, mas estabeleceu trajetória política na Flórida, onde ingressou na vida pública e se consolidou como aliado das diretrizes da gestão Trump.
A revogação do visto da embaixadora é mais um capítulo no distanciamento diplomático entre os dois países. O desgaste das relações bilaterais vem se intensificando desde o ano passado, impulsionado pelo anúncio de sobretaxas comerciais impostas pelo governo americano a produtos importados do Brasil.
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