Lindbergh diz não ter provas contra Gaspar, mas descarta retratação e mantém ação
Deputado petista tentou intermediar pedido de desculpas via Sóstenes Cavalcante; vice na chapa de Flávio exige responsabilização por denunciação caluniosa.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT) recorreu à mediação do parlamentar Sóstenes Cavalcante para tentar um entendimento com Alfredo Gaspar (PL), visando retratar-se por ter feito uma acusação sem sustentação de abuso sexual de menores. Para costurar o diálogo, o parlamentar do PT chegou a encaminhar uma proposta de nota ao líder do PL, que sinalizou apoio à iniciativa.
Em mensagem enviada no processo de negociação, Lindbergh reconheceu que precisava admitir a ausência de elementos probatórios. O argumento foi bem recebido por Sóstenes, que considerou o posicionamento suficiente para selar um entendimento. No entanto, a tentativa de conciliação foi rejeitada por Gaspar, que reafirmou a decisão de levar o caso adiante nas instâncias legais. O objetivo do deputado alagoano é garantir a responsabilização penal de Lindbergh e da senadora Soraya Thronicke pela prática de denunciação caluniosa.
Uma eventual condenação na Justiça pode resultar na perda das funções parlamentares de Lindbergh e Soraya por quebra de decoro. Oficializado como candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, Gaspar acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) exigindo a conclusão célere dos procedimentos investigativos instaurados a partir da denúncia.
Demora nas apurações e reação no STF
Mesmo após Gaspar ter fornecido amostras biológicas e laudo de exame de DNA para desmentir o caso, a Polícia Federal não deu andamento às apurações ao longo dos últimos cinco meses. A movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF) só ocorreu após a reaparição do assunto no noticiário, levando o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, a intimar a senadora Soraya Thronicke para que preste esclarecimentos.
A acusação foi apresentada por Lindbergh e Soraya durante o encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, em um momento em que a comissão pleiteava o indiciamento de Lulinha. Críticos apontam que a denúncia foi formulada sem indícios concretos e motivada por interesses políticos.
Origem dos fatos e desmentido
O contexto real da narrativa não possui qualquer ligação com condutas criminosas ou com a pessoa de Alfredo Gaspar. O caso envolve seu primo, Maurício Breda, que na juventude manteve um relacionamento consensual com uma parceira de idade superior à dele. A união resultou no nascimento de uma filha, com quem Breda estabeleceu contato apenas anos mais tarde. A versão divulgada pelos parlamentares governistas foi desmentida publicamente por Lourilene Pereira Marcelo da Silva em registro em vídeo.
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