
Quem são os donos da Casas Bahia hoje e como a família Klein perdeu o controle da empresa
Uma das redes mais tradicionais do comércio varejista no país já não está mais sob a gestão da família de seus fundadores. O controle acionário da Casas Bahia migrou para as mãos da gestora Mapa Capital em 2025, resultado de uma reestruturação financeira em que débitos da companhia foram transformados em participação societária.
Atualmente, o domínio da varejista é exercido por meio do veículo de investimento Domus VII Participações, que possui 832,4 milhões de papéis da empresa, correspondendo a 82,11% do capital social. O restante das ações (17,88%) encontra-se pulverizado entre os demais acionistas do mercado. Por se tratar de uma sociedade anônima de capital aberto, novos investidores podem adquirir cotas da rede, mas a concentração de títulos na Domus assegura à Mapa Capital o poder de decisão sobre a operação.
A reestruturação das dívidas e a nova liderança
A mudança no comando societário ocorreu durante as tentativas de reequilíbrio fiscal do grupo. Na ocasião, a Mapa Capital comprou cerca de R$ 1,6 bilhão em debêntures da rede que pertenciam ao Banco do Brasil e ao Bradesco, convertendo esses títulos em participação acionária que atingiu inicialmente 85,5%, estabilizando-se nos atuais 82,11%.
Fundada em 2013, a Mapa Capital atua nos segmentos de soluções financeiras e participações corporativas. Seus fundadores, André Helmeister e Fernando Beda, passaram a integrar a alta administração do grupo varejista: Beda atua na vice-presidência do Conselho de Administração, enquanto Helmeister é membro do colegiado. A presidência do conselho é exercida por Renato Carvalho do Nascimento, cujo mandato atual vai até 2028, e o executivo Renato Franklin permanece no cargo de CEO da companhia.
Do império familiar à perda do controle
A trajetória da marca começou com o imigrante Samuel Klein, que abriu a loja pioneira da rede no município paulista de São Caetano do Sul. O negócio se expandiu ao longo de várias décadas sob o comando dos herdeiros até se consolidar entre as líderes do setor no Brasil.
A alteração no perfil societário teve início em 2009, quando a Casas Bahia unificou suas operações com o Ponto Frio, culminando no ano seguinte com a incorporação dos ativos à empresa que mais tarde adotaria o nome Via Varejo. O processo de concentração culminou na transição definitiva para o portfólio da Mapa Capital.
Apesar da perda do bloco de controle, os fundadores continuam presentes no ambiente corporativo da rede. Raphael Klein, neto do fundador Samuel e filho de Michel Klein, assenta praça no Conselho de Administração e faz parte dos comitês de Finanças e de Pessoas e Governança, atuando sem contudo representar uma participação majoritária da família.
Vínculos imobiliários e momento financeiro
A ligação dos Klein com a varejista estende-se também ao setor imobiliário. Por meio da Icon Realty, empresa ligada a Michel Klein, a família detém os contratos de locação de 158 pontos comerciais utilizados pela rede. A imobiliária conta com uma carteira superior a 300 ativos imobiliários espalhados por 13 estados brasileiros, incluindo galpões logísticos e lojas de rua e de shopping.
A relação imobiliária ganhou novos contornos em razão do momento crítico enfrentado pela Casas Bahia, que ingressou nesta semana com um pedido de recuperação judicial visando renegociar um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões.

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