
Direita registra avanço histórico nas urnas com liderança de Flávio Bolsonaro e recorde de cadeiras no Congresso
Candidato do PL supera Lula na abertura do pleito presidencial, legenda assegura um terço das vagas no Senado e quatro integrantes do clã Bolsonaro garantem mandato legislativo.
O primeiro turno das eleições de 2026 consolidou o mais expressivo movimento conservador no quadro político nacional desde a redemocratização, em 1985. O senador Flávio Bolsonaro (PL) despontou na liderança da corrida ao Planalto com 47,03% dos votos válidos, superando a marca de 45,16% alcançada pelo atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao todo, o parlamentar conquistou um contingente de 5 milhões de votos superior ao registrado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O confronto definitivo entre os dois está programado para 25 de outubro.
A separação de apenas 1,87 ponto percentual representa a distância mais curta verificada entre os dois primeiros classificados desde a retomada das eleições diretas em 1989. Historicamente, nunca houve uma virada na etapa final da disputa pelo Planalto: em todas as ocasiões anteriores com dois turnos, o postulante que finalizou o round inicial em primeiro lugar acabou eleito.
Quatro nomes da família Bolsonaro chegam ao Legislativo
O avanço conservador transcendeu a corrida presidencial e assegurou mandatos a quatro parentes de Jair Bolsonaro a partir da legislatura de 2027:
Michelle Bolsonaro (PL-DF): eleita para o Senado Federal representando a capital do país;
Carlos Bolsonaro (PL-SC): conquistou uma cadeira no Senado pelo estado de Santa Catarina;
Jair Renan Bolsonaro (PL-SC): garantiu vaga na Câmara dos Deputados pelos catarinenses;
Renato Bolsonaro (PL-SP): irmão do ex-chefe de Estado, eleito deputado federal por São Paulo.
PL assume um terço do Senado e ultrapassa 100 deputados
No Senado Federal, o Partido Liberal passará a ocupar 28 das 81 cadeiras em 2027 — montante que supera o triplo da bancada do PT, a segunda maior da instituição, com 9 representantes. Dos assentos renovados no último domingo (4 de outubro), 19 foram obtidos pela sigla, reforçada ainda por aliados de outras agremiações de perfil de direita, a exemplo de Marcel van Hattem (Novo), Deltan Dallagnol (Novo) e Guilherme Derrite (PP).
O desempenho expressivo gerou dobradinhas vitoriosas em diversas unidades da federação:
São Paulo: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL);
Rio de Janeiro: Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL);
Santa Catarina: Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL);
Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL);
Rio Grande do Sul: Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo);
Paraná: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
Na Câmara dos Deputados, ainda que os números finais estejam em processamento, a projeção aponta que a bancada do PL contará com ao menos 115 parlamentares.
Domínio regional no Sul e Sudeste
O mapa eleitoral estadual também refletiu a força da corrente conservadora. Entre os 20 governadores eleitos ou reeleitos em primeiro turno no país, 13 pertencem ao campo da direita.
Nas regiões Sul e Sudeste, das sete unidades federativas, ao menos cinco estarão ou continuarão geridas por lideranças desse espectro político a partir de 6 de janeiro de 2027:
São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantiu a reeleição no principal colégio eleitoral do Brasil;
Minas Gerais: Cleitinho (Republicanos) sagrou-se vencedor logo na primeira rodada;
Paraná: Sergio Moro (PL) foi eleito novo chefe do Executivo estadual;
Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) assegurou a permanência no cargo;
Rio Grande do Sul: Tenente-Coronel Zucco (PL) triunfou no primeiro turno.
No Rio de Janeiro, o apadrinhado de Flávio, Douglas Ruas (PL), avançou para o segundo turno diante de Eduardo Paes (PSD). A decisão, contudo, ainda depende de julgamento do Tribunal Superior Eleitoral a respeito da situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos). Caso a votação do ex-governador venha a ser anulada, Ruas ultrapassará a metade dos sufrágios válidos, confirmando a eleição direta e ampliando a presença da direita no comando dos governos do Sudeste.

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