Câncer de bexiga: 81% da população idosa desconhece a doença, aponta pesquisa
ALERTAS DA SAÚDE — Levantamento inédito revela que o público mais vulnerável enfrenta dificuldades para identificar sintomas e ignoram o tabagismo como principal causador do tumor.
SALVADOR — Embora figure como o décimo tipo de tumor com maior incidência no Brasil, com estimativa anual de 13,1 mil novos diagnósticos, o câncer de bexiga permanece desconhecido por grande parte dos idosos no país. É o que indica uma pesquisa encomendada pela farmacêutica Pfizer e pelo Instituto Oncoguia, conduzida pela consultoria Ipsos-Ipec.
O levantamento revela que 81% dos entrevistados com 60 anos ou mais declararam nunca ter ouvido falar sobre a neoplasia ou possuir apenas conhecimentos superficiais a respeito. A desinformação atinge de forma crítica o grupo considerado de maior risco: indivíduos com mais de 55 anos e do sexo masculino, público que responde por cerca de 70% dos registros do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Sintomas negligenciados e diagnóstico tardio
O principal indício da doença, a presença de sangue na urina, é identificado por apenas 55% dos participantes idosos, enquanto entre os jovens de 25 a 34 anos o índice de reconhecimento chega a 70%. No público masculino geral, 57% associam o sinal de alerta à enfermidade, ao passo que 32% dos longevos não souberam apontar qualquer sintoma associado.
Especialistas alertam que a presença de sangue na micção — mesmo em episódio único e indolor — exige avaliação médica imediata. Outras manifestações clínicas que requerem atenção envolvem:
Queimação ou dores ao urinar;
Vontade urgente de ir ao banheiro e aumento da frequência urinária;
Sensação de retida urinária ou esvaziamento incompleto.
Tabagismo é a principal causa evitável
O levantamento expõe ainda uma falsa percepção sobre os fatores de risco. Enquanto a hereditariedade (58%) e infecções urinárias recorrentes (57%) foram erroneamente citadas como as principais causas, o consumo de tabaco figurou apenas em terceiro lugar, mencionado por 37% dos entrevistados. Contudo, dados médicos indicam que o cigarro está diretamente associado a cerca da metade de todos os casos de câncer de bexiga.
O processo desencadeador ocorre porque os compostos tóxicos absorvidos pelo hábito de fumar são filtrados pelos rins e mantêm contato prolongado com a mucosa que reveste a bexiga antes da eliminação urinária, promovendo mutações celulares. Outra ameaça relevante — reconhecida por apenas 24% dos ouvidos — é o manuseio industrial contínuo de solventes e substâncias químicas dos setores têxtil, de borracha, tintas e derivados de petróleo.
Gargalos no atendimento
Apesar da carência de informações básicas, 88% dos participantes concordam que a detecção precoce favorece a eficácia dos tratamentos. Entre os principais obstáculos enfrentados pelos pacientes, os entrevistados destacaram a demora na confirmação do diagnóstico (43%), a lentidão para início da terapia (36%) e a escassez de dados informativos sobre as manifestações da doença (34%).
O estudo ouviu 1.400 internautas com idade a partir de 18 anos, pertencentes às classes A, B e C, distribuídos pela capital paulista e pelas regiões metropolitanas de Belém, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

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