Aterro Sanitário de Vitória da Conquista consolida modelo de gestão ambiental com inovação e eficiência operacional
Com capacidade para processar mais de 7 mil toneladas de resíduos por mês, estrutura municipal alia tecnologia de proteção ao solo, usina de reciclagem e estação pioneira de tratamento de efluentes no Nordeste.
VITÓRIA DA CONQUISTA — A destinação adequada do lixo produzido pela população e o correto gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos figuram entre os principais desafios das políticas públicas sustentáveis. Em Vitória da Conquista, o Aterro Sanitário Municipal atua como um complexo de engenharia multidisciplinar voltado para o confinamento seguro de materiais, protegendo os recursos naturais e a saúde pública.
Instalado às margens da rodovia BA-262, na saída para Anagé, o equipamento ocupa uma área total de 120 mil metros quadrados. Por mês, o local absorve um volume médio de 7,2 mil toneladas de resíduos — fluxo que sofre elevações sazonais durante festividades de grande porte, a exemplo do São João e dos festejos natalinos.
Inaugurado em 2009, o espaço pertence ao patrimônio municipal, sob a gestão da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e com execução operacional a cargo da concessionária Torre Construções, contratada via processo licitatório.

Estrutura técnica e expansão planejada
Diferente do descarte irregular que caracteriza os antigos lixões, o aterro foi projetado em estrita conformidade com as diretrizes da Lei Federal nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
| Etapa / Célula | Status Atual de Operação |
| Células 1 e 2 | Encerradas e desativadas definitivamente. |
| Células 3 e 4 | Ativas, operando de forma integrada na parte superior para ampliar a vida útil por mais três anos. |
| Camada de proteção | Solo impermeabilizado por geomembranas sintéticas e cobertura de argila especial para blindar o lençol freático. |
O processo de disposição dos resíduos domiciliares (classificados como Classe 2) inicia-se na balança de pesagem. Em seguida, os caminhões descarregam os materiais na frente de trabalho, onde um trator de esteira realiza o espalhamento e a compactação. O procedimento reduz o volume da massa de lixo e limita a presença de oxigênio, inibindo a atração de vetores de doenças e a dispersão de maus odores. No total, a operação mobiliza 34 colaboradores diretos.
“A grande diferença entre um lixão e um aterro sanitário estruturado é a proteção ambiental. O lixão é apenas um acúmulo desordenado de resíduos. O aterro conta com impermeabilização total para resguardar o solo e o lençol freático, sistema de drenagem de gases e captação do chorume, além de cobertura vegetal no encerramento”, ressalta o assessor especial da Semop, Beto Fagundes.
Usina de entulho e reciclagem para uso interno
Além do recebimento do lixo doméstico, o complexo abriga uma usina focada no processamento de resíduos da construção civil (RCC). Os materiais chegam ao local por meio de descartes particulares ou coletados nos nove Pontos de Entrega Voluntária (PEV) distribuídos pelo município.
De acordo com a engenheira ambiental responsável pelas operações, Catarina Portugal, o entulho passa por uma triagem manual inicial no solo e segue para o alimentador do britador com o auxílio de uma pá carregadeira.
Nas esteiras de processamento, o entulho é fracionado e convertido em agregados de diferentes granulometrias (brita 0, brita 1 e brita 2). Todo o volume reciclado é reaproveitado pela própria administração na pavimentação e manutenção das vias internas de acesso do aterro.
Pioneirismo no Nordeste: Estação de Tratamento de Chorume
Um dos maiores avanços do equipamento é a fase de testes e implementação da Estação de Tratamento de Chorume. A iniciativa é pioneira no Nordeste no segmento de gestão municipal de resíduos.
O efluente — líquido escuro, denso e de odor forte gerado pela decomposição da matéria orgânica — é captado por tubulações subterrâneas nas células de descarte e conduzido para um sistema contínuo de purificação física, química e biológica.
Etapas do processo de purificação:
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Tratamento Físico-Químico: O efluente é bombeado para um flotador com adição de reagentes que removem parte da carga orgânica inicial e separam o lodo, reduzindo a turbidez do líquido.
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Digestão Anaeróbia: Em tanques fechados e em uma lagoa anóxica, bactérias atuam na ausência de oxigênio consumindo os poluentes.
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Digestão Aeróbia: Em uma estrutura elevada, ocorre a injeção contínua de oxigênio para que microorganismos aeróbios finalizem a degradação da matéria orgânica restante.
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Decantação: O material decanta, separando o lodo residual do líquido purificado.
A química responsável pelo setor, Karyne Dias, explica que o tratamento assegura a remoção de poluentes e metais pesados, enquadrando a água obtida nos limites estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Embora não possua potabilidade para irrigação agrícola, o efluente tratado é reaproveitado na umectação das vias do aterro para mitigar a poeira gerada pelo tráfego de máquinas.
Em paralelo, os técnicos realizam estudos e testes para avaliar o reaproveitamento do lodo rico em matéria orgânica retido no processo para aplicação em compostagem, fortalecendo a agenda de desenvolvimento sustentável e economia circular no município.

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