Bahia amarga piores posições do país no novo Ideb e sofre queda no Ensino Fundamental
Dados revelados pelo Inep confirmam cenário crítico na educação do estado, que ocupa o penúltimo lugar no Ensino Médio nacional e a lanterna entre os estados do Nordeste.
Os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam que a Bahia continua figurando nas últimas colocações do ranking educacional brasileiro. O estado registrou o pior índice de aproveitamento nos anos finais do Ensino Fundamental e consolidou-se como o pior do Nordeste na avaliação do Ensino Médio.
Na contramão do país
Enquanto diversos estados apresentaram crescimento, o Ensino Fundamental baiano (do 6º ao 9º ano) sofreu uma retração. Entre as edições de 2023 e 2025, a nota do estado caiu de 4,0 para 3,9, acompanhada de um preocupante indicador de rendimento escolar de apenas 0,91.
Com essa redução, a rede estadual tornou-se a única do Brasil a pontuar abaixo de 4,0 nesta etapa de ensino — aproximando-se do patamar de 3,7 registrado em 2019. O movimento vai na direção oposta ao de redes como a do Rio Grande do Norte, que avançou 0,6 ponto, e as de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, ambas com alta de 0,7. No cenário nacional, os anos finais são liderados pelo Paraná (5,8), seguido de perto por Ceará e Goiás (empatados com 5,7).
Atraso no Ensino Médio
O panorama não é mais animador na etapa final da educação básica. Avaliado a partir do desempenho dos alunos em Matemática e Língua Portuguesa, o Ensino Médio da Bahia teve um incremento muito tímido de 0,1, alcançando a nota 3,8.
Apesar da ligeira oscilação positiva, o estado amarga a 26ª posição no país, ficando à frente apenas do Rio de Janeiro. No recorte regional, a Bahia possui a pior avaliação do Nordeste, tendo sido ultrapassada por vizinhos que apresentaram melhoras significativas, a exemplo da Paraíba (4,1), Sergipe (4,1) e Rio Grande do Norte (3,9). No topo da tabela nacional do Ensino Médio aparecem Paraná (5,1), Espírito Santo, Goiás e Piauí (4,9), além de Pernambuco e Rio Grande do Sul (4,7).
Reflexos da pandemia e desafios de gestão
Para Felipe Proto, vice-presidente de educação da Fundação Lemann — organização filantrópica dedicada à educação e formação de lideranças —, o ligeiro aumento na média global não deve mascarar a gravidade da situação. Ele alerta que a etapa final do Ensino Fundamental ainda impõe grandes obstáculos.
“Mesmo com a melhora [global], os anos finais seguem apresentando baixos resultados de aprendizagem e exigem políticas que garantam a permanência dos estudantes, fortaleçam o vínculo com a escola e enfrentem as desigualdades”, pontuou Proto.
O especialista ressalta que as sequelas da pandemia da Covid-19 ainda reverberam profundamente no sistema, afetando desde a fase de alfabetização (Fundamental 1) até as etapas seguintes. Ao ingressarem no Fundamental 2, os estudantes passam a lidar não apenas com as defasagens acumuladas de aprendizado, mas também com complexas transformações físicas, sociais e cognitivas próprias da idade.
A superação dessa crise, segundo o representante da Fundação Lemann, exige mudanças práticas na gestão. A saída apontada por ele é estabelecer uma cooperação real e efetiva entre União, estado e municípios, assegurando a continuidade de políticas públicas que coloquem a aprendizagem no centro das prioridades estaduais.
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