
Do Petrolão ao Caso Master: o elo de João Vaccari Neto no desvio de fundos de pensão
Cruzamento de investigações da Lava Jato, Greenfield e declarações recentes aponta a repetição de método atribuído ao ex-tesoureiro petista para negociar vantagens indevidas a partir de aportes de entidades de previdência fechada.
As investigações e denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito das operações Lava Jato e Greenfield, somadas aos desdobramentos do chamado Caso Master, apontam a recorrência de um mesmo modelo de atuação que tem como ponto de convergência o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto. Segundo os apontamentos, a engrenagem operava essencialmente a partir da influência exercida sobre a gestão e o patrimônio dos fundos de pensão de companhias estatais.
O histórico de apurações descreve um padrão sistemático de intermediação que atravessou diferentes frentes de negócios nas últimas décadas: a sede regional da Torre Pituba, em Salvador; a criação da Sete Brasil; e as articulações que envolveram o Banco Master.
O padrão de intermediação
Nas obras da Torre Pituba — edifício erguido para abrigar a representação da Petrobras na capital baiana, sob contrato de locação de 30 anos com a própria petroleira —, coube a Vaccari, de acordo com o MPF, a captação de parcelas financeiras ilegais repassadas à agremiação partidária. Para operacionalizar a recepção dos montantes, o ex-dirigente indicou sua própria cunhada, Marice Correa.
Já na estruturação da Sete Brasil, empresa voltada ao fornecimento de sondas para o pré-sal, as apurações indicam que Vaccari atuou diretamente ao lado do ex-gerente de serviços da Petrobras, Pedro Barusco. O processo detalha que eram exigidas contrapartidas dos estaleiros sobre os contratos firmados, recolhidas em dinheiro vivo e transportadas pelo próprio tesoureiro em mochilas.
O mesmo formato voltou à tona nas declarações de Daniel Vorcaro a respeito do Caso Master. De acordo com o relato, o empresário Augusto Lima, sócio da instituição financeira, teria sido levado por lideranças políticas da Bahia para um encontro direto com Vaccari, ocasião na qual o ex-tesoureiro estabeleceu a fatia percentual de repasse indevido e exigiu um adiantamento financeiro em moeda corrente.
Foco nos fundos de previdência
O elemento central dos três episódios foi a utilização dos recursos pertencentes às entidades fechadas de previdência complementar:
Torre Pituba: A Petros (fundo dos empregados da Petrobras), apontada pelos procuradores como entidade submetida a forte aparelhamento político, financiou integralmente o empreendimento;
Sete Brasil: A captação ocorreu por meio do FIP Sondas, drenando participações conjuntas da Petros, da Funcef (Caixa Econômica Federal), da Previ (Banco do Brasil) e da Valia (Vale);
Caso Master: O banco buscou e obteve habilitação formal para integrar a relação de instituições financeiras aptas a captar investimentos diretos da Petros, Funcef, Previ, Postalis (Correios) e carteiras ligadas à Caixa.
Inflação de custos e volume de repasses
O impacto financeiro registrado nos três escândalos evidencia saltos expressivos nos valores finais movimentados:
| Caso | Custo / Captação Prevista | Custo Final / Volume Total | Repasse Ilegal Estimado |
| Torre Pituba | R$ 320 milhões (orçado em 2008) | R$ 1,32 bilhão (bancado pela Petros) | R$ 67,2 milhões (embutidos na obra) |
| Sete Brasil | — | R$ 2,94 bilhões (perdas Petros, Funcef e Previ) | R$ 252,6 milhões (2/3 destinados ao partido) |
| Caso Master | R$ 10 bilhões (projeção de captação total) | — | R$ 1 bilhão (taxa de 10%, com R$ 30 mi de entrada) |
No caso da Sete Brasil, a maior parte dos R$ 252,6 milhões em desvios teve destinação direta alinhada às ordens do tesoureiro. Já no episódio envolvendo o Banco Master, a combinação prévia exigia o pagamento antecipado de R$ 30 milhões em espécie, com menção à participação conjunta de Paulo Okamotto e Vaccari nas tratativas, consolidando um roteiro que repete velhas práticas de cooptação do capital previdenciário público.

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