
Durante evento no Pará, Lula tenta chamada ao vivo com Flávio Dino e atitude vira alvo de críticas da oposição
Em meio a uma cerimônia oficial realizada na capital paraense na última terça-feira (29/09), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, protagonizou um momento atípico ao telefonar publicamente para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A ligação, feita com o objetivo de avisar o magistrado sobre a sanção de um projeto de sua autoria na época em que atuava como parlamentar, não pôde ser completada com sucesso devido a falhas técnicas no sistema de áudio, mas gerou forte reação entre adversários políticos.
O compromisso público ocorreu nas instalações do Hospital João de Deus. Na ocasião, o chefe do Executivo participava do ato de homologação de uma nova norma voltada ao aprimoramento da fiscalização e da qualidade da assistência médica fornecida pela rede de saúde privada no país.
Projeto ligado a drama familiar
O texto em questão, apelidado no meio político de “lei da dor de um pai”, foi elaborado por Dino durante seu mandato no Senado Federal. A iniciativa teve como base uma tragédia pessoal vivida pelo magistrado: em 2012, seu filho, de apenas 13 anos, faleceu em decorrência de negligências e falhas no atendimento em uma unidade hospitalar.
Ao microfone, com o aparelho no modo viva-voz direcionado à plateia presente, Lula justificou a decisão de contatar Dino antes de assinar o documento:
“Ô, Flávio, deixa eu lhe falar uma coisa: eu estou aqui em Belém, vou sancionar a ‘lei da dor de um pai’, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos. Então, estou te ligando. Estou ao vivo aqui. Eu não queria sancionar sem falar com você”, afirmou o presidente.
Apesar do esforço para permitir que o integrante do STF se dirigisse diretamente aos presentes, a linha telefônica apresentou instabilidades e o áudio da resposta não pôde ser captado pelas caixas de som do local, frustrando a tentativa de transmissão ao público.
Reação imediata e questionamentos sobre independência
A transmissão do telefonema gerou protestos instantâneos por parte de lideranças da oposição. O senador Flávio Bolsonaro (PL) manifestou-se por meio de suas plataformas digitais, condenando a atitude e levantando dúvidas sobre a real separação de papéis entre os poderes.
O parlamentar questionou publicamente se Dino ainda conservaria algum grau de subordinação ou alinhamento político com a atual gestão federal, tendo em vista sua recente passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta que chefiou entre os anos de 2023 e 2024 antes de ser indicado à corte constitucional.
Entre analistas e opositores, o episódio foi visto como uma demonstração pública excessiva de proximidade entre o Palácio do Planalto e um magistrado em exercício no Supremo Tribunal Federal.

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