
Em troca de mensagens ríspida, Fux reage a cobranças de Gilmar Mendes: “Cuide de não encher meu saco”
Vazamento de diálogos privados via WhatsApp expõe forte atrito no STF, revelando também que o ministro Kassio Nunes Marques bloqueou Gilmar após ser pressionado a se afastar dos processos.
Por Notícias de Blog
Os bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) registraram um novo capítulo de forte tensão com a revelação de trocas de mensagens diretas e ríspidas entre os ministros. Diálogos divulgados pelo portal Metrópoles e confirmados pela imprensa apontam que o ministro Luiz Fux reagiu com irritação a exigências feitas pelo ministro Gilmar Mendes, disparando para o colega de Corte a frase: “Cuide de não encher meu saco!”.
A crise teve início após declarações públicas de Gilmar Mendes acusando os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques de terem atuado de maneira articulada para buscar a destituição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Ao cobrar uma “postura institucional” de Fux e alertar para que tal conduta não voltasse a ocorrer, Gilmar ouviu uma resposta ríspida: “Gilmar você deve dizer espero que não se repita pra quem você quiser. Pra cima de mim não. Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir. Boa Noite por ora”, escreveu Fux.
A tentativa de trégua não funcionou. Quando Gilmar respondeu sugerindo que o colega se limitasse à sua atuação na presidência da Segunda Turma, Fux cortou o diálogo na manhã seguinte encerrando a conversa de forma incisiva.
Bloqueio no aplicativo e cobrança de abertura de contas
A exposição do atrito com Fux ocorreu logo após a revelação de outro entrevero na mesma plataforma. O ministro Kassio Nunes Marques decidiu bloquear Gilmar Mendes no aplicativo de mensagens depois de receber uma sequência de cobranças severas para que se declarasse suspeito e deixasse o julgamento das causas.
Nas conversas, Gilmar subiu o tom: “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”. Kassio reagiu pedindo respeito e afirmando que a atitude não era adequada. Diante do insistente posicionamento de Gilmar — que chegou a afirmar que não respeitava “quem não se dá ao respeito” e exigiu que Kassio deixasse também o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, o ministro bloqueou o interlocutor, frisando que presta contas de suas atividades há mais de 15 anos.
A engrenagem do conflito institucional
A escalada de animosidade entre os magistrados é reflexo dos desdobramentos de investigações sigilosas que atingem o próprio tribunal. O estopim ocorreu no início de setembro, quando o relator André Mendonça tornou público um relatório da PF com registros de diálogos entre o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O documento indica pedidos de intervenção e cita repasses milionários ao escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Em reação, Moraes solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, que abra apuração contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, sustentando que relatórios sem valor probatório foram usados para direcionar apurações contra ele. Esse imbricado contra-ataque deflagrou uma disputa em torno do afastamento do chefe da PF, mantido no cargo até o momento por decisão cautelar de Fachin.
Enquanto a validade dos relatórios da PF é avaliada pelo plenário da Corte, a apreciação do caso sofreu uma pausa com o pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que pode empurrar o desfecho das deliberações para após o período eleitoral de outubro.

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