Estilista renomado assina trajes sob medida para a delegação rumo aos Estados Unidos; jogadores ganham looks despojados com releitura de casaco náutico, enquanto comissão técnica mantém a clássica alfaiataria.
Os atletas da Seleção Brasileira de Futebol já estão a caminho dos Estados Unidos para iniciar a preparação rumo à Copa do Mundo, e o destaque do embarque ficou por conta do visual da delegação. A equipe viajou vestindo trajes exclusivos encomendados pela CBF ao consagrado estilista Ricardo Almeida. Referência em alfaiataria de luxo desde os anos 1980 e figurinista de diversas celebridades, o paulistano assina os uniformes da equipe nacional desde o Mundial da Rússia, em 2018.
Segundo Almeida, de 71 anos, o projeto é tratado como um “símbolo de identidade” e reflete o orgulho de vestir a Seleção em cada minúcia. Para esta edição, o designer dividiu a coleção em duas propostas distintas, apresentadas inicialmente em abril.

A comissão técnica adotou um perfil mais executivo e tradicional, vestindo terno completo, calça social, camisa e gravata. Já para os jogadores, a palavra de ordem foi modernidade e conforto. Rompendo com o blazer convencional, o estilista introduziu o caban — uma adaptação elegante do casaco historicamente usado por marinheiros. A peça, que já gerou repercussão e memes nas redes sociais, foi desconstruída na alfaiataria para se tornar uma jaqueta leve e sem ombreiras. Para completar o conjunto dos atletas, foram escolhidas camisetas de algodão e calças com modelagem ampla, distanciando-se do corte justo dos ternos antigos.
A paleta de cores foi outro detalhe pensado estrategicamente. O designer explicou que a tonalidade escolhida é um “petróleo suave”, resultado de uma mistura de azul e verde que se aproxima do cinza. Essa combinação faz com que o tecido mude de nuance dependendo da iluminação ambiente, o que explica a surpresa de alguns torcedores na internet.

Aprovação técnica
Em maio, durante o lançamento oficial da coleção, Almeida detalhou suas escolhas estilísticas ao Jornal Nacional, destacando o contraste entre a descontração dos atletas e a formalidade da comissão.
O trabalho minucioso e sob medida não apenas cumpriu as exigências da CBF, mas também conquistou o técnico Carlo Ancelotti. De acordo com o estilista, o treinador demonstrou certa apreensão inicial sobre quem ficaria responsável pelos figurinos, mas tranquilizou-se ao ver o resultado final de suas próprias roupas, que também receberam elogios da esposa do comandante.
Tradição e renovação
Com uma trajetória na moda iniciada na década de 1970 e à frente de sua marca homônima desde 1983, Ricardo Almeida se consolida como o alfaiate oficial do Brasil nos Mundiais, somando as bagagens da Rússia (2018), do Catar (2022) e, agora, da América do Norte (México e EUA).
Para manter o frescor da marca, o estilista conta com uma ajuda caseira: seus filhos, Ricardinho e Arthur. Os jovens seguem os passos do pai no segmento da moda e têm sido peças fundamentais desde a Copa de 2018 na missão de repensar e adaptar a alfaiataria para dialogar com o público mais jovem.
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