
Gestão Jerônimo registra queda bilionária no caixa e projeta rombo nas contas da Bahia, revela Folha
Um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo apontou uma expressiva piora na saúde financeira da Bahia sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A análise, que traça um paralelo com os números do governo de Rui Costa, evidencia um salto de um robusto superávit para a previsão de um déficit bilionário nos cofres estaduais.
Durante o segundo mandato de Rui Costa (2019 a 2022), o estado baiano conseguiu acumular um saldo positivo de cerca de R$ 8,5 bilhões (valores ajustados pela inflação). Em contrapartida, a projeção para os quatro anos do governo Jerônimo (2023 a 2026) estima um saldo negativo acumulado na ordem de R$ 7,3 bilhões. Apenas para o último ano da atual gestão, em 2026, a previsão aponta um rombo orçamentário de R$ 5,72 bilhões.
O declínio se repete na avaliação do resultado primário — que mede a diferença entre o que o estado arrecada e o que gasta, sem incluir os juros da dívida. A gestão de Rui encerrou com um saldo positivo de R$ 13,5 bilhões, enquanto o atual governo caminha para terminar o mandato com um número negativo de R$ 3,32 bilhões.
A mudança de rota nas finanças já havia gerado alertas. Em 2025, o governo estadual modificou a meta de déficit primário, que saltou de R$ 1,1 bilhão para R$ 4,2 bilhões, manobra que foi alvo de ressalvas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA). A conselheira Carolina Matos destacou, na época, os impactos dessa alteração na transparência e no planejamento fiscal.
Outro ponto que acende o alerta é a drástica redução na disponibilidade de recursos. O caixa livre do Executivo baiano, que era de R$ 5,3 bilhões líquidos no fim do governo Rui, encolheu para cerca de R$ 900 milhões em 2025 (após abatidas as obrigações e os restos a pagar).
Por outro lado, a gestão Jerônimo turbinou os investimentos. A projeção de aportes para o atual mandato é de R$ 29,1 bilhões, superando os R$ 23,4 bilhões investidos na era Rui Costa. O governo defende que o aumento das obras de infraestrutura só foi possível graças aos recursos que haviam sido guardados no passado. A Secretaria da Fazenda reitera que o controle financeiro está mantido e que as despesas com pessoal e o nível de endividamento continuam dentro das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Embora o cenário não aponte para um risco de calote imediato por parte do estado, especialistas consultados pela Folha avaliam que o aumento de despesas, sobretudo em um ano eleitoral, somado à redução do caixa, demanda um monitoramento rigoroso. A expectativa é que o desempenho das contas públicas seja uma das pautas centrais no debate para as eleições de 2026.

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