
Investigação da Polícia Federal aponta repasses milionários a chefe de supervisão do Banco Central
Investigação da Polícia Federal aponta repasses milionários a chefe de supervisão do Banco Central
Relatórios revelam que valores de até R$ 760 mil teriam sido destinados a Belline Santana por meio de intermediários; documentação teve sigilo suspenso pelo STF.
Uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) no âmbito das apurações sobre o Banco Master revelou indícios de pagamentos vultosos — que alcançam até R$ 760 mil — direcionados a Belline Santana, atual chefe de supervisão do Banco Central do Brasil (BC). De acordo com os relatórios da corporação, tratativas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e aliados sugerem que as transferências financeiras ao servidor público ocorriam de forma indireta, por meio de terceiros.
A divulgação dos dados ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso Master. A medida foi adotada na noite da última quinta-feira, 10, a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Troca de mensagens detalha repasses
Os elementos recolhidos pela PF incluem registros de conversas obtidas entre janeiro e dezembro de 2024, que evidenciam o planejamento e a cobrança de valores direcionados a Belline Santana.
Os diálogos apontam que, em 9 de janeiro de 2024, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, enviou uma mensagem ao ex-banqueiro mencionando uma quantia pendente destinada ao chefe de supervisão do BC. O assunto voltou à pauta em 31 do mesmo mês, quando Zettel indicou que efetuaria o pagamento ao funcionário da autarquia como parte de um conjunto de acertos financeiros.
Em outubro de 2024, novas conversas reforçaram a suspeita. No dia 2 doquele mês, Zettel comunicou a Vorcaro que uma parcela dos recursos repassados a Leonardo Palhares seria repassada, na verdade, a Belline Santana, estipulando a cifra de R$ 760 mil.
O mecanismo operacional por trás das transações também foi detalhado pela PF a partir de uma conversa datada de 10 de dezembro de 2024, entre Daniel Vorcaro e Ana Claudia Queiroz de Paiva. Na ocasião, ela esclareceu ao empresário o fluxo monetário utilizado para alcançar o servidor: a remessa era enviada inicialmente a Leonardo Palhares, que ficava encarregado de repassar a quantia final a Belline.
Cronograma de débitos e novas somas
O monitoramento dos investigadores aponta que o nome do funcionário do Banco Central continuou figurando em planilhas de compromissos financeiros ao longo dos meses seguintes. Em 2 de janeiro de 2025, um levantamento de débitos em aberto enviado por Zettel a Vorcaro listava uma pendência de R$ 750 mil associada a Belline. Posteriormente, em setembro do mesmo ano, os registros policiais identificaram o indicativo de mais um repasse no valor de R$ 500 mil atrelado ao mesmo contexto investigado.

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