
Jaques Wagner contesta acusações feitas por ex-controlador do Banco Master
Senador petista classificou relação com intermediário como estritamente pessoal, apontou incoerências temporais em denúncias sobre filme de Lula e saiu em defesa do colega Otto Alencar.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) rebateu publicamente as declarações atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que vieram à tona em reportagem da revista Veja. Durante participação no programa Piatã Notícias, da rádio Piatã FM, o parlamentar negou qualquer envolvimento na compra ou intermediação de obras de arte de valores expressivos por meio do médico Guilherme Sodré, conhecido como “Guiga”, e desqualificou a versão apresentada pelo banqueiro em tentativas de acordo de colaboração com a Justiça.
Wagner frisou que a proximidade com Guiga remonta aos tempos de militância sindical na década de 1980 e jamais envolveu transações comerciais ou interesses financeiros.
“Eu não intermediei, não comprei nenhuma obra de arte pela mão de Guiga. É meu amigo há séculos, desde o meu tempo de sindicalista, quando ele era médico do trabalho […] Amizade não passa por negócios, passa por amizade mesmo”, declarou o senador, lembrando que a convivência começou durante debates sobre a saúde dos trabalhadores no Polo Petroquímico e se estendeu ao apoio recebido em sua primeira disputa eleitoral, em 1986.
Incompatibilidade cronológica sobre documentário
O congressista também contestou a narrativa de Vorcaro de que teria custeado uma produção audiovisual sobre a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o intuito de facilitar a abertura de portas junto à administração federal. Wagner apontou um anacronismo evidente entre os fatos citados e a criação da instituição financeira.
Segundo o parlamentar, o filme sobre o líder petista que teve ampla repercussão é de 2010, ao passo que a fundação do Banco Master ocorreu quase uma década depois, em 2019. Wagner criticou a divulgação de versões parciais e cobrou a apresentação de elementos concretos:
“Esse é outro problema: saem vazando o que querem e não investigam a fundo. Deixa provar, né? Quem tomou dinheiro que se explique”, pontuou.
Solidariedade a Otto Alencar e queixa contra boatos
No decorrer da entrevista, Jaques Wagner também expressou solidariedade ao senador Otto Alencar (PSD-BA), cujo nome apareceu em menções recentes sobre repasses e investimentos do Master em um empreendimento pertencente à sua filha. Embora tenha admitido não ter acompanhado todos os detalhes das matérias jornalísticas, Wagner enfatizou a vulnerabilidade a que figuras públicas estão sujeitas e defendeu a conduta do correligionário.
“A gente que é político é exposto, o cabra fala o que quiser. Agora é preciso provar. Eu considero que o Otto não tem nada a ver com essa história”, enfatizou.
O parlamentar baiano aproveitou a oportunidade para recordar outros boatos infundados que enfrentou no passado recente em torno do caso, reafirmando que nunca sequer esteve na propriedade insular atribuída a Augusto Lima, então sócio de Vorcaro.
O teor das alegações de Vorcaro
As menções a figuras políticas integram o material que Daniel Vorcaro reuniu para tentar firmar delação premiada junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-banqueiro alegou que realizou repasses financeiros para assegurar a habilitação do Banco Master na gestão de recursos pertencentes a fundos de pensão de estatais federais.
Segundo a versão apresentada pelo empresário, o esquema contaria com a participação do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e de nomes do governo federal, sustentando ainda que a aproximação inicial com a cúpula do partido teria sido articulada com o apoio de Augusto Lima e com o auxílio de Jaques Wagner, que exercia a liderança do governo no Senado. As propostas de colaboração do banqueiro, contudo, não avançaram na PGR por falta de elementos comprobatórios mínimos.

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