
Lula menitiu ao dizer no JN que herdou déficit fiscal do governo Bolsonaro
Em entrevista, presidente ressaltou compromisso com a responsabilidade fiscal e fez projeções sobre a gestão das contas públicas
Em sabatina transmitida pela TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a situação das finanças nacionais ao ser questionado sobre o crescimento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), indicador que alcançou a marca de 81,9% em junho deste ano. Durante a transmissão, o chefe do Executivo declarou não ver o cenário com preocupação e sustentou que sua trajetória política reflete rigor no controle dos gastos públicos.
Ao detalhar o panorama econômico, o governante afirmou ter recebido a administração federal com um saldo negativo de 2,8% do PIB em relação à gestão anterior de Jair Bolsonaro, projetando para o exercício atual a obtenção de um resultado primário positivo de 0,1%. No entanto, levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que o exercício de 2022 encerrou com saldo positivo de R$ 54,9 bilhões, enquanto o período de janeiro a julho do corrente ano contabiliza um déficit de R$ 81,3 bilhões.
Indagado sobre a possibilidade de implementar reformas fiscais em um eventual novo mandato, o presidente não detalhou medidas específicas de contenção, destacando a intenção de priorizar a expansão econômica do país nos próximos quatro anos. Lula reforçou que as ações fundamentais de sua plataforma já foram iniciadas e enfatizou a autonomia de seus auxiliares na condução da política econômica, citando quadros que atuaram e atuam na pasta, como Fernando Haddad, Guido Mantega e Dario Durigan.
Ao resgatar o histórico de suas passagens anteriores pela Presidência, o chefe de Estado ponderou que obteve superávits primários contínuos ao longo de oito anos, posição que classificou como diferenciada entre os integrantes do G20. Segundo a avaliação apresentada pelo mandatário, a oscilação nos índices do endividamento nacional decorre da estagnação do crescimento econômico verificada na última década, e não de inconsistências na gestão fiscal.

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