Brasília – 04 de junho de 2025 — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A medida foi tomada após a parlamentar confirmar que deixou o Brasil, em meio a processos relacionados à sua condenação por envolvimento em ataques aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A decisão de Moraes foi motivada pela constatação de que a viagem de Zambelli à Europa teria como objetivo evitar a execução da pena imposta pelo STF. A deputada foi sentenciada a dez anos de reclusão, e, segundo o ministro, sua saída do país ocorreu “em razão da proximidade do julgamento dos embargos de declaração opostos” contra a condenação e da “iminente decretação da perda do mandato parlamentar”.
O pedido de prisão preventiva foi formulado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que também solicitou a inclusão do nome da parlamentar na lista de difusão vermelha da Interpol, além da suspensão de seu passaporte e a notificação formal às autoridades internacionais competentes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que a medida cautelar não representa antecipação da pena, mas visa garantir a efetividade da aplicação da legislação penal diante da conduta da deputada.
Carla Zambelli alegou que deixou o país para dar continuidade a um tratamento médico, argumento reforçado por seu então advogado, Daniel Bialski. Contudo, a deputada também afirmou ser alvo de “perseguição judicial”. Bialski, por sua vez, anunciou seu desligamento da defesa por “motivo de foro íntimo”, após confirmar que foi informado previamente sobre a viagem da cliente.
Com a ordem de prisão decretada, Zambelli passa a ser considerada foragida da Justiça. A expectativa é que as autoridades brasileiras intensifiquem os esforços junto a organismos internacionais para sua localização e eventual extradição.
A decisão ocorre em um momento sensível, marcado pelo avanço das etapas finais do processo que pode resultar na cassação de seu mandato parlamentar, aumentando a tensão entre o Poder Judiciário e setores do Legislativo.
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