
Opinião: Para o governo, a inflação dos alimentos não é real; trata-se apenas de uma sensação.

Gente amiga, a política brasileira elevou o ilusionismo a um patamar que deixaria qualquer mágico profissional com inveja. Descobrimos que a melhor forma de combater a inflação não é ajustando a economia, mas sim, acionando advogados.
Acreditem se quiser: o presidente Lula foi ao TSE pedir a remoção de postagens que ousavam afirmar o óbvio — que a comida está cara. A tese por trás da manobra? Não há preços altos. O que o brasileiro tem, vejam a audácia, é apenas uma “sensação” de preço alto. É fascinante. A inflação deixou de ser uma métrica financeira para virar um distúrbio de percepção coletiva no corredor do hortifrúti. Você não está perdendo poder de compra; você apenas está vibrando na frequência errada na hora de passar o cartão.
Mas vamos deixar a psicanálise governamental de lado e olhar para a frieza dos números. Em junho, o setor de alimentos cravou 1,65% de alta. Para quem tem memória curta, é a maior disparada para o período em 18 anos. A batata inglesa subiu estratosféricos 44%. O tomate acompanhou o ritmo com 20% de aumento. Portanto, se você se assustou no caixa do supermercado, acalme-se: segundo a retórica oficial, a sua carteira vazia é apenas uma ilusão de ótica passível de censura.
Como se não bastasse a escalada dos números, somos diariamente brindados com o truque de mágica da indústria. A barra de chocolate encolhe, o pacote de biscoito emagrece, o sabão evapora… mas o preço? O preço continua altivo, inabalável. Eles chamam de “readequação de embalagem”. A gente chama de pagar o mesmo valor para levar vento embalado em plástico.
Porém, eis que a economia é sábia… e o calendário eleitoral também. Agora, a poucos dias das eleições, testemunhamos um verdadeiro milagre cívico nas gôndolas. Os alimentos ensaiam uma tímida e muito bem-vinda redução. A batata, subitamente, resolveu colaborar com a democracia; o tomate, comovido, vestiu a camisa da estabilidade. Tudo muito pontual. Tudo incrivelmente conveniente.
No fim das contas, o governo decreta no tribunal que você não está mais pobre, a indústria cobra caro pelo oxigênio da embalagem, e a sua comida só fica barata quando eles precisam do seu voto. Em Brasília, a fome do povo é tratada como ilusão; o único apetite que nunca entra em dieta, pelo visto, é o de permanecer no poder.

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