PF buscou ilegalmente material contra Flávio Bolsonaro em escritório de Willer Tomaz, diz site
Advogado alega em petição ao STF que agentes desrespeitaram limites judiciais e recolheram documentos sobre Flávio Bolsonaro durante mandado no endereço de Willer Tomaz.
Uma petição enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta irregularidades na conduta de agentes da Polícia Federal durante o cumprimento de mandados no escritório do advogado Willer Tomaz. De acordo com a queixa encaminhada ao gabinete do ministro André Mendonça, a equipe policial teria extrapolado a ordem judicial ao recolher e fotografar documentos relacionados a pessoas que não são investigadas no processo, em especial o senador Flávio Bolsonaro.
O pedido de apuração foi formulado pelo advogado Michael Cunha, que acompanhou as buscas realizadas no local. No documento, a defesa relata que o delegado responsável e sua equipe direcionaram esforços para localizar arquivos, registros imobiliários e comprovantes de pagamentos sem vínculo com o objeto do mandado. A operação original apura desdobramentos de um inquérito envolvendo o senador Weverton Rocha, do Maranhão, sócio e amigo de Tomaz.
Segundo o relato, os agentes teriam feito menções diretas ao nome de Flávio Bolsonaro e ao termo “01”, além de buscarem informações sobre transações de imóveis no Rio de Janeiro e uma propriedade em Angra dos Reis. As menções ocorrem devido a uma ação judicial entre Tomaz e o jogador Richarlison, processo no qual o senador figura apenas como testemunha arrolada, sem qualquer acusação criminal ou relação com a apuração da PF.
Vazamento de imagens e coordenação paralela
Além do desvio de escopo, a petição aponta o descumprimento de restrições expressas impostas pelo relator, que proibia a captação e divulgação de imagens do interior do escritório de advocacia para preservar o sigilo profissional. Durante a diligência, fotos do local foram veiculadas na imprensa. Ao ser questionado sobre o vazamento, o responsável pela operação informou apenas ter repassado os registros para a “coordenação” do caso, negando ter sido o autor da divulgação aos meios de comunicação.
A defesa detalhou ainda que o delegado fotografava os documentos recolhidos e enviava as imagens a essa coordenação não identificada. Parte das pastas que não tinham relação com a apuração só foi devolvida após contestação direta dos advogados no momento do registro do auto de apreensão. O caso foi entregue ao ministro André Mendonça para avaliação sobre eventuais excessos cometidos na conduta policial.
Blog do Claúdio Dantas

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