
PF rastreia transferência de R$ 33 milhões de banco Master para advogada ligada a Gilmar Mendes
A jurista, que já dirigiu um instituto criado pelo ministro Gilmar Mendes, era vista por executivos como um acesso direto à Suprema Corte.
A Polícia Federal (PF) descobriu que o Banco Master enviou cerca de R$ 33 milhões para o escritório de Dalide Correa, advogada que no passado ocupou um cargo de liderança no instituto fundado por Gilmar Mendes. Em conversas interceptadas, diretores da instituição financeira justificavam os pagamentos apontando a jurista como um canal de acesso direto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Auditoria revelou salto nos gastos
As transações vieram à tona graças a uma inspeção interna conduzida pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre as operações envolvendo o Banco Master, gerido pelo empresário Daniel Vorcaro. Durante o levantamento, os auditores identificaram movimentações atípicas e de altíssimo valor destinadas a bancas jurídicas.
Nos diálogos flagrados pela PF, os líderes do Master comentavam que a contratação de Dalide servia para facilitar a articulação na Corte. Os investigadores ressaltam, no entanto, que durante as conversas não houve citação específica a nomes de quaisquer magistrados do STF.
O relatório do BRB, ao qual a polícia teve acesso, mostra que as despesas jurídicas do banco praticamente triplicaram de um ano para o outro. Os custos saltaram de R$ 76 milhões em 2023 para R$ 215 milhões em 2024.
Repasses à esposa de Alexandre de Moraes
Além dos valores destinados à banca de Dalide Correa (identificada como Alves Correa), a auditoria também localizou um repasse de R$ 40 milhões para o escritório de Viviane Barci de Moraes, casada com o ministro Alexandre de Moraes. Segundo as apurações, o contrato total firmado por Vorcaro com a banca de Viviane girava em torno de R$ 131 milhões — um montante considerado muito acima da média praticada pelo mercado. Os auditores do BRB destacaram a necessidade de entender se esses valores seriam despesas habituais, visando medir o impacto nas contas da instituição.
Histórico profissional e posicionamentos
O elo profissional entre Dalide Correa e o ministro Gilmar Mendes começou entre os anos 2000 e 2002, período em que Mendes era advogado-geral da União e Dalide atuava na área jurídica da Caixa Econômica Federal. A relação profissional se encerrou em 2017, com a saída da advogada do posto de chefia no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), idealizado pelo magistrado.
Em sua defesa, Dalide publicou uma nota negando que tenha prestado serviços diretos à instituição de Vorcaro. A assessoria da jurista garantiu que seu escritório nunca fez lobby no STF ou buscou ministros para tratar de interesses do banco. O comunicado esclarece que o trabalho ocorreu exclusivamente na primeira e segunda instâncias, em ações originais de empresas que venderam créditos ao Banco Master, o qual acabou assumindo os processos posteriormente.
Procurada para comentar os fatos, a assessoria de imprensa do ministro Gilmar Mendes optou por não se pronunciar.

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