Rombo externo do Brasil atinge US$ 1,8 bilhão em abril, aponta Banco Central
Rombo externo do Brasil atinge US$ 1,8 bilhão em abril, aponta Banco Central
Contas externas registram saldo negativo superior ao do ano passado; por outro lado, balança comercial forte e avanço nos investimentos estrangeiros ajudam a segurar o indicador.
Brasília – O balanço das transações correntes do Brasil fechou o mês de abril com um saldo negativo de US$ 1,8 bilhão. O relatório estatístico foi apresentado oficialmente pelo Banco Central (BC) no início do dia de hoje. O resultado aponta para um aprofundamento do déficit em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o indicador havia ficado negativo em US$ 1,6 bilhão. No primeiro quadrimestre deste ano, o acumulado de perdas na área externa já atinge a marca de US$ 21,96 bilhões.
As transações correntes funcionam como um termômetro financeiro do país com o resto do mundo, contabilizando o fluxo de divisas gerado pelo comércio, prestação de serviços e remessas financeiras. Quando há déficit, significa que o volume de capital que deixou o território nacional superou o montante que entrou.
Para efeito de comparação, o rombo totalizado ao longo de todo o ano passado foi de US$ 68,82 bilhões (o correspondente a 3,02% do Produto Interno Bruto). Já na análise dos últimos 12 meses encerrados em abril, o saldo negativo ficou em US$ 64,3 bilhões — um cenário ligeiramente mais favorável do que o observado no intervalo correspondente anterior, encerrado em abril do ano passado, quando o déficit batia em US$ 73,9 bilhões.
Comércio Exterior e Investimentos em alta
Apesar da pressão negativa no indicador geral das contas externas, o comércio de mercadorias operou no azul. A balança comercial encerrou o quarto mês do ano com um superávit expressivo de US$ 9,7 bilhões, superando os US$ 7 bilhões contabilizados em igual mês do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelas exportações, que avançaram 13,9% e somaram US$ 34,3 bilhões, enquanto as importações recuaram 6,2%, totalizando US$ 24,6 bilhões.
Outro vetor de alívio para a economia brasileira foi o aporte de capital produtivo vindo de fora. O Investimento Direto no País (IDP) deu um salto substancial, alcançando US$ 8,9 bilhões em abril — montante bem superior aos US$ 5,4 bilhões anotados em abril do ano passado.
Com essa performance, o estoque acumulado de IDP em 12 meses bateu US$ 79,2 bilhões (equivalente a 3,28% do PIB), demonstrando aceleração frente aos US$ 75,7 bilhões verificados em março e aos US$ 72,7 bilhões registrados há um ano.
Colchão de proteção financeira
A autoridade monetária reportou ainda um incremento nas garantias financeiras do país contra turbulências internacionais. As reservas cambiais do Brasil ganharam um reforço de US$ 4,9 bilhões na passagem de março para abril. Com a valorização, o montante total de liquidez internacional sob custódia do Banco Central passou a somar US$ 366,9 bilhões.
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