
Servidor britânico vai a julgamento acusado de acumular 5 empregos remotos com jornada de 183 horas semanais
Funcionário público teria recebido cerca de R$ 2 milhões atuando simultaneamente em diferentes órgãos do Reino Unido; a carga horária contratual superava o total de horas de uma semana inteira.
Um servidor público de 55 anos virou alvo da Justiça britânica sob a acusação de manter múltiplos empregos em regime de teletrabalho ao mesmo tempo. Kashim Chowdhury, morador de Londres, chegou a registrar uma jornada contratual combinada de 183 horas por semana — número que ultrapassa as 168 horas totais que compõem uma semana completa.
De acordo com o processo em andamento no Tribunal da Coroa de Southwark, o trabalhador acumulou quase 350 mil libras (o equivalente a cerca de R$ 2 milhões) repassadas por diferentes instituições públicas entre 2020 e 2023.
Como funcionava o acúmulo de funções
A promotoria aponta que o profissional se aproveitou da transição para o modelo de trabalho remoto, impulsionado pela pandemia, para firmar contratos com novos empregadores sem rescindir os vínculos anteriores.
Multiplicidade de órgãos: Ao longo do período analisado, ele passou por oito instituições públicas — incluindo áreas de saúde, comércio, alimentação e meio ambiente.
Pico de vínculos: No momento de maior sobreposição, em maio de 2023, Chowdhury recebia remunerações de cinco órgãos estatais simultaneamente, todos em regime integral.
Licenças e omissões: A acusação afirma que o réu omitia ocupações prévias nos processos de admissão e chegava a pedir afastamento médico em uma repartição enquanto exercia atividades em outra.
Episódios e comportamento nas reuniões
Durante os depoimentos, relatos sobre o comportamento do servidor chamaram a atenção do tribunal. Supervisores relataram que Chowdhury raramente ligava a câmera em chamadas de vídeo e costumava evitar ligações de colegas de trabalho.
Em uma ocasião específica de maio de 2023, uma gestora desconfiou da aparência do profissional durante uma videoconferência, relatando ter notado o uso de maquiagem branca para aparentar palidez e simular um estado de doença grave. O acusado negou a alegação, afirmando que estava apenas gripado naquele dia.
O que diz a defesa
Chowdhury enfrenta nove acusações formais de fraude, mas nega veementemente ter agido de má-fé ou com intenção fraudulenta.
Em sua defesa perante o júri, o servidor declarou que:
Mantinha acordos pontuais com gestores para entregas por demanda, sem necessidade de cumprir a totalidade das horas fixadas em contrato;
Alguns superiores tinham conhecimento de que ele realizava outras atividades profissionais;
Enfrentava um quadro severo de estresse pós-traumático (diagnosticado em 2015 e agravado em 2021), além de problemas de saúde na família e instabilidade profissional, buscando no excesso de trabalho uma forma de enfrentamento pessoal e garantia financeira.
O julgamento segue em andamento na corte londrina, ainda sem veredito anunciado.

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