Vacina suspensa foi aplicada em 500 mil pessoas
O Ministério da Saúde determinou, na última segunda-feira (8), a interrupção temporária do uso do imunizante Butantan-DV contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida preventiva foi tomada após a notificação de complicações severas em indivíduos que receberam a vacina. Ao todo, cerca de 501 mil brasileiros foram vacinados com o produto entre janeiro e maio deste ano.
A maior parcela do público-alvo foi composta por trabalhadores da atenção primária à saúde, que concentraram 417,4 mil aplicações (83% do total). O restante das doses (83,6 mil) atendeu a estratégias de imunização ampliada nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO).
Reações e investigações em andamento
De acordo com o balanço do governo federal, 3.703 pessoas (0,7% dos vacinados) manifestaram sintomas leves a moderados semelhantes aos da dengue — como febre alta, manchas avermelhadas na pele, dores pelo corpo, fadiga e náuseas — após a aplicação.
No entanto, o sinal de alerta acendeu com o registro de 42 casos graves, caracterizados por vômitos frequentes, fortes dores na região abdominal e episódios de hemorragia. Três pacientes necessitaram de suporte em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), dos quais dois evoluíram para óbito.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ponderou que os casos estão sob rigorosa análise e que, até o momento, não há um nexo de causalidade comprovado entre a vacina e as mortes. A suspensão, segundo ele, é uma cautela necessária.
“As reações foram absolutamente inesperadas”, declarou Padilha, ressaltando que tais intercorrências não foram observadas nos testes clínicos de fases 2 e 3 que embasaram o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A pasta esclareceu ainda que o lote suspenso foi fabricado integralmente pelo Instituto Butantan, sem qualquer relação com os insumos importados da farmacêutica chinesa WuXi Vaccines, adquiridos para a expansão da produção nacional.
Histórico dos casos mais complexos
Os três quadros mais alarmantes foram mapeados entre os meses de março e abril:
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Recuperação: Uma paciente de 39 anos manifestou febre e náuseas seis dias após receber a dose. O quadro evoluiu para dengue grave com choque circulatório, exigindo tratamento em UTI. Ela respondeu bem aos cuidados e recebeu alta.
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Óbito 1: Uma mulher de 48 anos apresentou complicações 19 dias após a vacinação. O estado de dengue grave evoluiu para uma inflamação no sistema nervoso (meningoencefalite), levando-a à morte.
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Óbito 2: Um homem de 58 anos teve episódios febris cinco dias após a injeção. A condição se agravou para choque refratário decorrente de dengue grave, resultando em óbito.
Orientações à população
A vacina Butantan-DV foi homologada pela Anvisa em novembro do ano passado como uma fórmula de dose única, baseada em testes realizados com cerca de 16 mil voluntários.
A recomendação atual do Ministério da Saúde para quem foi imunizado nos últimos 21 dias é monitorar o próprio corpo. Caso surjam sintomas característicos da dengue que apresentem piora progressiva, a orientação é buscar atendimento médico imediato em uma unidade de saúde.
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