O governo dos Estados Unidos, por meio de seu Escritório do Representante de Comércio (USTR), quer implementar uma tarifa extra de 25% sobre as importações de produtos brasileiros. A base para a retaliação econômica, segundo um documento oficial publicado nesta segunda-feira (2), são as recentes ordens judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) contra plataformas digitais, com destaque para as medidas aplicadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
O relatório norte-americano elenca uma série de embates entre o Judiciário do Brasil e empresas de tecnologia. Além de fazer menção ao ministro Dias Toffoli — um detalhe já revelado pela imprensa —, o documento centra suas críticas em determinações que levam a assinatura de Moraes, usando-as como o pilar da nova ofensiva comercial.
A argumentação dos EUA cita diretamente episódios de grande repercussão, como a derrubada da rede social X (propriedade de Elon Musk) em 2024, a retirada do ar da plataforma de vídeos Rumble em 2025, e as constantes exigências judiciais para que publicações sejam apagadas da internet.
Mesmo sem citar o nome de Alexandre de Moraes explicitamente, o governo americano descreve com exatidão as sentenças proferidas pelo magistrado. O USTR condena duramente as sanções severas aplicadas às companhias de tecnologia, que incluem desde multas diárias por desobediência até o bloqueio total de bens e o estrangulamento financeiro das plataformas.
Um trecho do relatório traduzido detalha a visão de Washington sobre a crise com o antigo Twitter: “A Justiça do Brasil impediu o funcionamento do X no país entre agosto e outubro de 2024. A motivação foi a recusa da plataforma em apagar o perfil de um jornalista brasileiro domiciliado nos EUA e a falta de nomeação de um representante legal no território”.
O documento americano também se aprofunda no rigor das penalidades financeiras, destacando que a Justiça brasileira foi além das multas. Segundo o USTR, houve o congelamento de contas bancárias, retenção de automóveis e propriedades, veto à movimentação de aeronaves corporativas e proibições diretas ao Banco Central do Brasil e às operadoras de pagamento para impedir que o capital da empresa fosse enviado ao exterior.
Por fim, a escalada de tensão comercial também encontra respaldo no tratamento dado a criadores de conteúdo. O órgão de comércio dos EUA critica a ordem de exclusão e a desmonetização de contas ligadas a “um famoso podcaster do Brasil que mora na Flórida”. Apesar de o documento não revelar a identidade do influenciador, o perfil descrito aponta para o jornalista Allan dos Santos, que é investigado no Inquérito das Fake News do STF, processo que também é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.
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