Durante inauguração de hospital, presidente responsabilizou Eduardo e Flávio Bolsonaro por sanções comerciais americanas contra o Brasil e os acusou de pedir interferência estrangeira.
CATALÃO (GO) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mirar suas críticas, nesta terça-feira (2), contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O foco dos ataques foi a recente crise comercial estabelecida entre o Brasil e os Estados Unidos.
A ofensiva ocorreu no município goiano de Catalão, durante a cerimônia de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal local. Ao discursar sobre a aproximação da família Bolsonaro com autoridades norte-americanas, o chefe do Executivo rotulou os irmãos como “traidores”.
Elevando o tom da crítica, Lula traçou um paralelo com a Inconfidência Mineira. Ele declarou que, por atitudes menos graves, o delator Joaquim Silvério dos Reis acabou condenado à forca, e questionou a plateia sobre qual seria o castigo adequado para aqueles que traem a própria pátria.
O contexto da fala presidencial é a recente recomendação feita pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a imposição de taxas de 25% sobre as mercadorias exportadas pelo Brasil.
Lula aproveitou a ocasião para recordar a postura de aliados bolsonaristas diante de retaliações econômicas sofridas pelo país no ano anterior. O mandatário lembrou que, no dia 9 de julho de 2025 — quando Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% contra o mercado brasileiro —, um dos filhos do ex-presidente, descrito por Lula como pré-candidato ao Planalto, comemorou a medida agradecendo a Trump e pedindo que ele “fizesse o Brasil livre novamente”.
Ainda de acordo com o presidente, as ações de Eduardo e Flávio conseguem ser mais prejudiciais do que as de Jair Bolsonaro, uma vez que eles teriam suplicado para que uma nação estrangeira interferisse na autonomia e nas decisões internas do Brasil.
Clima diplomático tenso
O forte discurso de Lula acontece apenas 24 horas após o Palácio do Planalto emitir um comunicado oficial sobre o caso. Na nota, o governo brasileiro repudiou a possibilidade de novas taxações, alertando para os danos à economia nacional, e culpou diretamente a família Bolsonaro por articular a investigação americana contra o país.
A partir desse episódio, a base aliada governista intensificou a ofensiva contra parlamentares do campo conservador, acusando-os de endossar e defender que os Estados Unidos apliquem punições econômicas severas ao Brasil.
Enquanto a retórica política esquenta no cenário interno, Brasília e Washington seguem em negociações delicadas. A apuração conduzida pelos EUA, baseada na Seção 301 de sua legislação comercial, continua em andamento e pode resultar na aplicação de novos impostos aos produtos brasileiros já no próximo mês de julho.
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