Chefe da diplomacia americana sinalizou afastamento de Brasília ao equiparar o país a regimes como Cuba e Venezuela; atrito ocorre em meio a tensões comerciais e tarifas de 25%
WASHINGTON — O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou o Brasil como um país “não amigável” aos interesses de Washington. A declaração foi dada nesta terça-feira (02/06) durante um pronunciamento oficial perante o Congresso americano, evidenciando o tensionamento na diplomacia entre as duas nações.
Ao avaliar o cenário geopolítico na América Latina, Rubio destacou que a Casa Branca possui uma sólida rede de cooperação regional, mas pontuou que o governo brasileiro se encontra fora desse alinhamento.
“É fantástico que, com exceções como Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, o Brasil — embora seja um país em meio a um ciclo eleitoral — e, em alguma extensão, a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.
Tarifas e retaliação comercial ao Pix
O posicionamento de Rubio coincide com um momento de forte fricção comercial. Recentemente, a administração americana determinou a aplicação de uma alíquota sobretaxada de 25% sobre as importações de produtos de origem brasileira.
De acordo com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), um dos principais motivadores da sanção é o Pix. O órgão alega que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil prejudica a competitividade e os interesses de mercado das operadoras de cartão de crédito baseadas nos EUA.
Além das barreiras alfandegárias, a medida econômica foi impulsionada pela recente inclusão das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista oficial de entidades terroristas de Washington.
Polêmica política e bastidores em Brasília
O cenário de crise ganhou novos contornos políticos no Brasil devido à recente agenda internacional do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar, que se posiciona como pré-candidato à presidência pela extrema direita, tornou-se centro de debates no governo brasileiro.
Existia a suspeita nos bastidores de Brasília de que o senador teria atuado junto a lideranças americanas para incentivar a taxação aos produtos nacionais. Flávio Bolsonaro, contudo, refuta integralmente a acusação, sustentando que sua interlocução em solo americano buscou o oposto: evitar que o Brasil sofresse as sanções econômicas.
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