Registros de Casamentos na Bahia Atingem Menor Patamar em Cinco Anos
Levantamento aponta que uniões formais vêm caindo consecutivamente desde o pico de 2021; especialistas apontam mudança de comportamento e ascensão da união estável como fatores principais. Número de divórcios também apresenta recuo no estado.
A formalização do matrimônio está em declínio constante na Bahia. Dados recentes da Associação dos Registradores Civis das Pessoas Naturais do Estado da Bahia (Arpen/BA) revelam que, pelo quinto ano consecutivo, o volume de casamentos oficiais sofreu redução, contabilizando 51.086 celebrações em 2025.
O número representa o índice mais baixo desde 2020 — período marcado pelo auge da pandemia de Covid-19 —, quando os cartórios registraram 47.160 uniões. A tendência de baixa parece se consolidar: entre janeiro e maio deste ano, foram emitidas apenas 17.503 certidões de casamento no estado.
A evolução dos registros nos últimos anos:
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2021: 59.248 casamentos
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2022: 58.376 casamentos
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2023: 55.005 casamentos
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2024: 53.036 casamentos
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2025: 51.086 casamentos
Apesar da retração estatística global, o desejo de subir ao altar permanece vivo para muitos casais. A psicóloga Jaqueline Mota, de 30 anos, concretizou esse projeto de vida em dezembro do ano passado ao se casar com Manoel. Para ela, a cerimônia transcende a formalidade. “É uma forma de lembrar que não estamos sós e que temos um ao outro para enfrentar os altos e baixos, firmando nosso amor, algo que hoje em dia passa despercebido por muitos”, reflete.
Mudança Cultural e o Peso no Bolso
Para a advogada Larissa Muhana, especialista em Direito de Família, o declínio nas oficializações reflete uma profunda transformação cultural. Ela explica que a sociedade, atualmente, exerce uma cobrança menor sobre a formalização dos relacionamentos, especialmente sobre as mulheres.
“Os jovens têm compreendido que os efeitos da união estável são, na prática, equivalentes aos do casamento. Com isso, o rito tradicional acaba se tornando uma mera formalidade”, avalia Muhana. A especialista ressalta, ainda, que os altos custos envolvidos na produção de uma cerimônia — mesmo as mais simples — atuam como um fator desestimulante.
Diferentemente do casamento civil ou religioso, que exige trâmites burocráticos e solenidades, a união estável consolida-se de forma natural no cotidiano. “O casal passa a viver junto, constrói uma rotina e, com o passar do tempo, a convivência pública, contínua e duradoura é reconhecida pelo Direito como uma entidade familiar, mesmo sem um planejamento formal prévio”, detalha a advogada.
Segurança Jurídica como Atrativo
Por outro lado, há quem não abra mão do rigor documental para evitar vulnerabilidades futuras. A advogada Fernanda Andrade, de 36 anos, e seu parceiro, Matheus, optaram por oficializar a união em 2025. Além da celebração religiosa e afetiva com pessoas próximas, a decisão foi pautada pela proteção legal.
“Apesar de a união estável ser equiparada ao casamento, ainda há cenários jurídicos em que a definição clara do estado civil confere maior segurança, principalmente em relação ao regime de bens”, pontua Fernanda.
Essa precaução é endossada pela advogada Verena Hora, também especialista na área de Família. Ela alerta que, na ausência de uma documentação que comprove a união estável, divergências podem se transformar em longas disputas judiciais. “Sem um contrato ou escritura, surgem questionamentos sobre a data de início da relação, a divisão do patrimônio e até os direitos de herança. Por isso, a formalização via escritura pública é a via mais recomendada”, orienta.
Separações Acompanham Tendência de Queda
O desinteresse pelas idas ao cartório reflete-se, curiosamente, também no encerramento das relações. Levantamento do Colégio Notarial do Brasil – Seção Bahia (CNB/BA) indica que as dissoluções matrimoniais seguem a mesma curva descendente dos casamentos desde 2021.
No ano passado, a Bahia registrou 2.734 divórcios, o menor volume em meia década. O quantitativo é cerca de 10% inferior ao de 2024 (3.037) e representa uma queda significativa de 25% em relação aos números de 2021 (3.646).
Para os casais que encaram o rompimento definitivo, Verena Hora recomenda cautela, preparo e busca por orientação especializada antes de qualquer atitude precipitada.
“É fundamental reunir toda a documentação, compreender o cenário patrimonial e avaliar com responsabilidade as questões que envolvem os filhos, como guarda, convivência e pensão. O caminho consensual deve ser sempre priorizado, pois reduz desgastes emocionais, tempo e custos financeiros. Um divórcio juridicamente bem condu
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