Polícia Federal deflagra operação contra presidente do PCO por suspeita de irregularidades financeiras
Rui Costa Pimenta é alvo de busca e apreensão em investigação que apura suposto desvio de recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (11), a Operação Causa Própria, que tem como um dos principais alvos o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra o dirigente partidário, que figura novamente como pré-candidato à Presidência da República no pleito de 2026.
As apurações policiais tiveram início a partir da análise das prestações de contas apresentadas pela própria legenda. O foco dos investigadores está em repasses efetuados pela agremiação às gráficas Digiartegraphics Gráfica Ltda. e JCO Gráfica e Editora. De acordo com os autos, Pimenta desempenharia papel de liderança central na gestão das verbas públicas e no direcionamento dos contratos analisados.
Indícios de desvio e serviços não prestados
A representação policial aponta divergências entre o porte operacional das prestadoras de serviço, os valores financeiros movimentados e a proximidade entre os proprietários das empresas e quadros do PCO. Diante disso, os investigadores colocam sob suspeita a realização efetiva dos serviços gráficos contratados e o destino real das verbas.
A tese da PF é de que haveria um esquema estruturado para o uso indevido de verbas oriundas do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Os montantes teriam sido canalizados para a contratação de pessoas físicas e jurídicas vinculadas à cúpula do partido, contemplando parentes de dirigentes, militantes, ex-candidatos e companhias sem estrutura física proporcional aos volumes pagos.
Pareceres do TSE e pedido de afastamento
Relatórios elaborados pela Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Asepa) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificaram falhas recorrentes nas finanças do PCO ao longo de diferentes anos. Entre os problemas reportados estão rejeições formais de contas, omissão no envio de dados e pareceres técnicos recomendando a reprovação dos balanços.
Diante do quadro, a Polícia Federal solicitou o afastamento cautelar de Rui Costa Pimenta da administração do partido. A intenção é impedir que o investigado continue gerindo recursos da sigla no decorrer do inquérito.
Trajetória política e posicionamento
Rui Costa Pimenta, de 68 anos, comanda o PCO desde 1995. Ao longo de sua carreira, disputou a Prefeitura de São Paulo no ano 2000 e concorreu ao Palácio do Planalto nos pleitos de 2002, 2006, 2010 e 2014, sem conseguir se eleger. Em 2026, seu nome volta a ser apresentado para a disputa presidencial.
A assessoria do candidato foi procurada para se manifestar sobre as buscas e as alegações da PF, mas não enviou posicionamento até a última atualização deste texto. O espaço permanece aberto para manifestações da defesa.
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