Homem afirma ter recebido R$ 16.500 em alegação de estupro contra Gaspar
Depoimento prestado à Polícia Legislativa detalha transferências bancárias que somam R$ 16.500 para contratação de falsa vítima; defesa de Lindbergh Farias nega acusações e classifica relato como “picaretagem”
O comerciante Luiz Antônio Lopes prestou depoimento à Câmara dos Deputados afirmando ter intermediado o repasse de R$ 16.500 para uma mulher que se passaria por vítima de estupro do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). De acordo com as declarações do testemunha, a jovem — identificada como Marcela — usaria uma identidade falsa para atribuir o crime ao parlamentar, que compõe a chapa eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro como vice-presidente.
Conforme o relato gravado pela Polícia Legislativa em 23 de abril, as quantias foram creditadas em sua conta na Caixa Econômica Federal e posteriormente sacadas em espécie para entrega direta à mulher. As transferências teriam ocorrido por meio de três operações via Pix: uma no valor de R$ 2.500 emitida por Sérgio Machado de Azevedo, outra de R$ 4.000 por Carlos Roberto Lopes e uma terceira no montante de R$ 10.000. O comerciante colocou seus extratos bancários e comprovantes à disposição dos investigadores para confirmar a veracidade das transações.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido à citação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), autoridade que possui foro por prerrogativa de função.
Origem do contato e reunião virtual
Lopes declarou ter conhecido Marcela, de 22 anos, em um centro comercial localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na ocasião, a jovem teria revelado o plano de assumir uma identidade falsa para imputar o delito a Gaspar. O comerciante disse ter cedido sua conta pessoal para o recebimento dos recursos por suspeitar do intermediário original da negociação.
O depoente afirmou ainda ter participado de uma videochamada na qual estariam presentes Lindbergh Farias e o ex-vereador de Nova Iguaçu conhecido como Toninho da Padaria. Segundo o comerciante, a jovem cobrou os valores prometidos durante a transmissão online e ouviu do deputado petista que o pagamento seria providenciado em breve. Lopes alegou também que Lindbergh teria recomendado sigilo sobre o teor da conversa para evitar repercussões negativas. O depoimento não apresentou gravações ou documentos que comprovem a realização da reunião remota.
Contraponto e reações das partes
Procurado pela reportagem do Poder360, o deputado Lindbergh Farias renegou categoricamente as afirmações prestadas à Polícia Legislativa e qualificou as acusações como “picaretagem”. O parlamentar petista assegurou não conhecer o comerciante nem os demais envolvidos, negou a participação em reuniões virtuais sobre o tema e cobrou a atuação da Polícia Federal para investigar e prender o depoente por prestar informações falsas.
Contexto da disputa jurídica e exames de DNA
As declarações de Lopes inserem-se em um histórico de contestações judiciais iniciado em 27 de março, quando Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentaram uma notícia-crime à Polícia Federal acusando Alfredo Gaspar de estupro de vulnerável. Os parlamentares afirmaram ter recebido documentos indicativos do ato, porém sem apresentar provas materiais anexadas à representação.
Em resposta, Gaspar impetrou queixa-crime no STF e protocolou representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal contra Soraya e Lindbergh, imputando-lhes os crimes de calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.
O parlamentar de Alagoas divulgou vídeos e testes de paternidade para rebater a tese de que seria pai da jovem mencionada no processo, demonstrando por meio de exame genético que o pai biológico da moça é, na verdade, seu primo, Maurício Breda. Para reforçar a contestação, Gaspar realizou exames de DNA na Polícia Científica de Alagoas e colocou seu perfil genético à disposição das autoridades federais para acelerar o arquivamento das suspeitas.
As ações movidas entre os parlamentares tramitam no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes. Paralelamente, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e do Senado apuram representações sobre eventual quebra de decoro parlamentar dos envolvidos. Até o momento, nenhuma denúncia formal foi oferecida pela PGR contra o deputado Alfredo Gaspar.
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