
Com dívidas de R$ 17,3 bilhões, Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
Medida abrange subsidiárias do grupo e prevê o encerramento das atividades em 298 pontos de venda para readequar a estrutura financeira da companhia.
O Grupo Casas Bahia solicitou formalmente a instauração de um processo de recuperação judicial perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. A petição, encaminhada no final da noite do último domingo (16), visa renegociar os débitos da empresa e assegurar a manutenção de suas atividades operacionais em meio a sérios gargalos de liquidez e aperto no acesso ao crédito.
A solicitação abarca tanto a holding quanto subsidiárias estratégicas, a exemplo da Cnova Comércio Eletrônico, da fabricante de móveis Bartira, da Casas Bahia Tecnologia e das braços logísticos da marca. O movimento contou com o aval do conselho de administração e do acionista controlador.
Diagnóstico financeiro e passivo acumulado
De acordo com a administração da varejista, o desgaste do quadro econômico foi intensificado por um cenário macroeconômico adverso, caracterizado por juros em patamares elevados, maior custo de captação, escassez de crédito e retração do consumo, o que comprometeu diretamente o capital de giro. A companhia ressaltou ainda a frustração de tentativas anteriores de captação de recursos que vinham sendo articuladas nos últimos meses.
No total, o passivo declarado pela varejista soma R$ 17,3 bilhões, distribuído nas seguintes categorias de credores:
Credores sem garantia (quirografários): R$ 16,4 bilhões
Débitos trabalhistas: R$ 754 milhões
Micro e pequenas empresas (ME/EPP): R$ 154 milhões
Reestruturação da rede e continuidade dos serviços
Como parte do plano de readequação, o grupo projeta o encerramento de 298 unidades físicas — volume correspondente a cerca de 29% da rede de 1.034 lojas registrada ao término de junho. A estratégia busca desativar pontos de menor retorno financeiro para focar em segmentos de maior margem de lucro, reduzindo despesas operacionais e custos com financiamentos para reestabelecer o fluxo de caixa.
Apesar do pedido judicial, a Casas Bahia informou que as operações comerciais em todos os canais de venda — físicos e digitais — continuarão funcionando sem interrupções para os clientes.
Por ter sido tomada sob regime de urgência, a deliberação do conselho passará por ratificação dos acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) a ser convocada em breve. A administração comprometeu-se a divulgar atualizações à medida que o processo tramitar na Justiça.

Sem comentários! Seja o primeiro.