De olho em mais de 9 milhões de votos, Flávio e Lula iniciam corrida por apoios no 2º turno
Candidatos miram o eleitorado dos dez postulantes derrotados e o índice histórico de abstenção para definir a disputa presidencial marcada para 25 de outubro.
A corrida pelo Palácio do Planalto entra em uma nova fase com Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) focando suas estratégias na conquista dos votos destinados aos dez concorrentes eliminados na primeira etapa da votação. Ao todo, os candidatos que ficaram de fora somaram mais de 9,3 milhões de votos válidos (cerca de 7,81%), volume decisivo frente à margem de aproximadamente 2,2 milhões de sufrágios que separou os dois líderes.
Com 99,99% da apuração concluída pela Justiça Eleitoral, Flávio terminou à frente, com 47,03% (56.104.268 votos), enquanto Lula obteve 45,16% (53.876.617 votos). Na sequência figuraram o escritor Augusto Cury (Avante), com 2,89% (3.448.551); Renan Santos (Missão), com 2,24% (2.675.878); e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18% (2.605.128). Os demais concorrentes — Romeu Zema (Novo), Samara (UP), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barao (DC), Edmilson Costa (PCB), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) — completaram o quadro.
Agora, os dois finalistas contam com uma janela de três semanas até a decisão, agendada para 25 de outubro, para atrair tanto as alianças partidárias quanto o eleitorado independente. Paralelamente, o foco recai sobre a taxa de abstenção: mais de 33 milhões de brasileiros (21,08% do eleitorado) deixaram de comparecer às urnas, marcando o maior índice de ausência desde 1998, contingente cerca de 15 vezes superior à distância entre os dois primeiros colocados.
O posicionamento dos três principais derrotados
Augusto Cury (3º lugar): Terceiro colocado com quase 3,45 milhões de votos, o escritor sinalizou neutralidade. Em mensagem pública pós-resultado, parabenizou ambos os classificados e expressou desejo de uma gestão voltada à “esperança”, sem apontar preferência. Durante sua campanha, pautou o discurso pelo combate à polarização política e desferiu críticas tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo.
Renan Santos (4º lugar): Posicionado em quarto lugar com 2,67 milhões de votos, o líder do partido Missão sustentou um projeto de direita desvinculado da família Bolsonaro. Crítico contumaz de ambos os finalistas, já havia declarado que não apoiaria nem Flávio nem Lula em uma eventual segunda fase, postura mantida após o desfecho do primeiro turno.
Ronaldo Caiado (5º lugar): Com 2,6 milhões de votos, o governador goiano evitou manifestações definitivas imediatas. Caiado condicionou seu posicionamento a um alinhamento prévio com o dirigente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ressaltando o compromisso com sua “coerência”. Embora tenha apoiado e mantido proximidade com Jair Bolsonaro no pleito de 2022, o governador adotou um tom de distanciamento e disputa pelo eleitorado conservador durante a campanha deste ano.
Cenário replica equilíbrio de 2022
A margem estreita entre o primeiro e o segundo colocado reedita o clima de disputa acirrada visto na eleição de 2022, quando Lula superou Jair Bolsonaro por uma diferença próxima a 2,1 milhões de votos (50,90% a 49,10%).
Naquela ocasião, composições foram determinantes: Simone Tebet e o PDT (legenda de Ciro Gomes) marcharam com o petista, enquanto lideranças da direita e governadores, incluindo Caiado, apoiaram a reeleição de Bolsonaro.
Ao avaliar a etapa concluída, Lula declarou que o resultado representa um aprendizado democrático e frisou que o segundo turno marca o início de uma disputa inteiramente nova. Flávio, por sua vez, celebrou a dianteira obtida nas urnas e afirmou em discurso que a liderança simboliza o encerramento do ciclo político do Partido dos Trabalhadores.

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