Flávio Bolsonaro passa a usar colete à prova de balas após mais de 2 mil ameaças de morte
Senador e pré-candidato à Presidência amplia segurança da Polícia do Senado, aponta discursos de Lula como estopim e aciona o STF.
BRASÍLIA — O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comunicou, na última quarta-feira (22), que passou a utilizar colete à prova de balas de forma contínua em seus compromissos diários. A medida de proteção foi adotada após o registro de uma escalada de intimidações e ameaças de morte contra o parlamentar.
Em pronunciamento divulgado na rede social X, o congressista afirmou contabilizar mais de duas mil ameaças recebidas recentemente e reiterou que manterá a agenda de compromissos políticos do seu projeto eleitoral.
“A minha luta é por vocês. E é por causa dessa luta que estou usando colete à prova de balas todos os dias. Eu também estou cansado dessa violência, mas vou até o fim contra esses narcoterroristas e contra o sistema que faz vista grossa para eles”, declarou Flávio Bolsonaro.
O pré-candidato destacou ainda que os atos de intimidação não vão paralisar sua atuação no cenário político, direcionando sua mensagem à base de eleitores e apoiadores:
“Já são mais de 2 mil ameaças de morte, mas eu não vou me intimidar. Eles podem inventar mentiras e criar narrativas para tentar me destruir. Podem me ameaçar com balas e facas. Eu não vou parar (…) Essa luta é por cada um de vocês que acredita em um Brasil melhor.”
Monitoramento da Polícia do Senado e esquema de proteção
A mudança na rotina do parlamentar ocorre simultaneamente ao reposicionamento do protocolo de segurança conduzido pela Polícia do Senado Federal. Relatórios elaborados pela inteligência da corporação mapearam um aumento severo no volume de hóstias e hostilidades direcionadas ao congressista a partir de junho.
O mapeamento de riscos identificou mais de 2 mil registros de hostilidade, detalhados em:
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868 ameaças explícitas;
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647 conteúdos com incitação à violência;
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640 citações de caráter codificado;
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133 publicações associadas ao planejamento ou busca de oportunidade de ataques físicos.
Para mitigar os riscos, a corporação triplicou o contingente de agentes destacados para a escolta do senador, determinou o uso obrigatório do colete balístico em eventos públicos, aumentou o aporte de viaturas, equipamentos e armamentos de alto calibre, além de criar uma central de monitoramento em tempo real que opera 24 horas por dia.
Reação política e acionamento do STF
Aliados e interlocutores da pré-campanha atribuem o acirramento das intimidações a falas proferidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe do senador cita como estopim declarações recentes em que o chefe do Executivo fez menções à família Bolsonaro e afirmou que, historicamente, “traidor era enforcado”.
Diante do cenário, a assessoria jurídica do parlamentar formalizou uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de responsabilizar o presidente da República por suposta incitação à violência. O caso foi endereçado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes para avaliação.
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