
Racha no STF vira trunfo eleitoral estratégico para Flávio Bolsonaro em 2026, apontam aliados
Troca de farpas entre ministros e desgaste público da Corte alimentam estratégia da campanha do PL, que busca colar a imagem de Alexandre de Moraes na candidatura de Lula.
Por Notícias de Blog
A turbulenta sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrida na última terça-feira, que começou a analisar os relatórios da Polícia Federal sobre supostas conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi acompanhada com lupa pelo comitê de campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Mesmo com o julgamento temporariamente suspenso por um pedido de vista de Flávio Dino, o clima bélico no plenário foi interpretado pelo entorno do senador como um cenário altamente favorável para a corrida presidencial.
Para os estrategistas do PL, a exposição das divergências internas da Corte serve como combustível para Flávio, que já vinha intensificando o bombardeio contra o tribunal e, de forma mais aguda, contra Moraes. A tática central é criar uma simbiose entre o magistrado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha aposta que a crise de imagem do STF respingue na tentativa de reeleição do petista, repetindo nos palanques que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”.
A lógica do “ganha-ganha”
A equipe do candidato à Presidência enxerga o episódio como uma situação em que não há como perder. Caso o Supremo decida invalidar o relatório da PF e engavetar as apurações, a campanha planeja alavancar o perfil “antissistema” de Flávio, acusando os magistrados de atuarem para proteger seus próprios pares.
Por outro lado, se as investigações sobre Moraes avançarem, o senador terá o caminho livre para cobrar explicações duras e reiterar os pedidos de renúncia do ministro, a quem recentemente rotulou de “laranja podre” nas propagandas eleitorais.
O embate também gerou declarações que soaram como música para o bolsonarismo. A ministra Cármen Lúcia expressou “profunda consternação” e admitiu que os episódios recentes causaram um “mal-estar cívico” no país — fala que a campanha interpretou como um reconhecimento de que as críticas de Flávio têm fundamento. Além dela, Dino classificou a condução da sessão como “desastrada”, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça trocavam acusações abertas.
O fator André Mendonça
O impasse jurídico que travou a sessão gira em torno da metodologia do julgamento. Antes da paralisação de Dino, o placar estava 4 a 3 para que o caso fosse avaliado separadamente de uma outra investigação que tem André Mendonça como alvo. Moraes acionou o presidente do STF, Edson Fachin, questionando a postura de Mendonça e o acusando de agir politicamente em inquéritos ligados ao Banco Master, material que deve ser analisado na próxima semana.
A figura de Mendonça, indicado à Corte por Jair Bolsonaro, é uma peça-chave nesse xadrez. Ele vem recebendo forte defesa da ala bolsonarista, mas a situação é delicada: o ministro é justamente o relator da apuração que investiga Flávio Bolsonaro pelo financiamento de “Dark Horse”, um filme sobre seu pai, no qual o senador teria pedido recursos ao mesmo banqueiro, Daniel Vorcaro.
Impulso nas pesquisas
Toda a mobilização contra o Judiciário ocorre em um momento de otimismo no quartel-general do PL. O bolsonarismo comemorou nesta semana os números do recente levantamento da Quaest, que colocou Flávio com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula em uma simulação de segundo turno. Embora o cenário configure um empate técnico dentro da margem de erro, foi a primeira vez que o senador apareceu numericamente à frente do atual

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